sábado, 7 de novembro de 2009

Nascimento de um elefante.


Vejam este video que é simplesmente fantástico. Clic aqui.

Face Oculta




Os intocáveis


00h30m


O processo Face Oculta deu-me, finalmente, resposta à pergunta que fiz ao ministro da Presidência Pedro Silva Pereira - se no sector do Estado que lhe estava confiado havia ambiente para trocas de favores por dinheiro. Pedro Silva Pereira respondeu-me na altura que a minha pergunta era insultuosa. Agora, o despacho judicial que descreve a rede de corrupção que abrange o mundo da sucata, executivos da alta finança e agentes do Estado, responde-me ao que Silva Pereira fugiu: Que sim. Havia esse ambiente. E diz mais. Diz que continua a haver. A brilhante investigação do Ministério Público e da Polícia Judiciária de Aveiro revela um universo de roubalheira demasiado gritante para ser encoberto por segredos de justiça. O país tem de saber de tudo porque por cada sucateiro que dá um Mercedes topo de gama a um agente do Estado há 50 famílias desempregadas. É dinheiro público que paga concursos viciados, subornos e sinecuras. Com a lentidão da Justiça e a panóplia de artifícios dilatórios à disposição dos advogados, os silêncios dão aos criminosos tempo. Tempo para que os delitos caiam no esquecimento e a prática de crimes na habituação. Foi para isso que o primeiro-ministro contribuiu quando, questionado sobre a Face Oculta, respondeu: "O Senhor jornalista devia saber que eu não comento processos judiciais em curso (…)". O "Senhor jornalista" provavelmente já sabia, mas se calhar julgava que Sócrates tinha mudado neste mandato. Armando Vara é seu camarada de partido, seu amigo, foi seu colega de governo e seu companheiro de carteira nessa escola de saber que era a Universidade Independente. Licenciaram-se os dois nas ciências lá disponíveis quase na mesma altura. Mas sobretudo, Vara geria (de facto ainda gere) milhões em dinheiros públicos. Por esses, Sócrates tem de responder. Tal como tem de responder pelos valores do património nacional que lhe foram e ainda estão confiados e que à força de milhões de libras esterlinas podem ter sido lesados no Freeport. Face ao que (felizmente) já se sabe sobre as redes de corrupção em Portugal, um chefe de Governo não se pode refugiar no "no comment" a que a Justiça supostamente o obriga, porque a Justiça não o obriga a nada disso. Pelo contrário. Exige-lhe que fale. Que diga que estas práticas não podem ser toleradas e que dê conta do que está a fazer para lhes pôr um fim. Declarações idênticas de não-comentário têm sido produzidas pelo presidente Cavaco Silva sobre o Freeport, sobre Lopes da Mota, sobre o BPN, sobre a SLN, sobre Dias Loureiro, sobre Oliveira Costa e tudo o mais que tem lançado dúvidas sobre a lisura da nossa vida pública. Estes silêncios que variam entre o ameaçador, o irónico e o cínico, estão a dar ao país uma mensagem clara: os agentes do Estado protegem-se uns aos outros com silêncios cúmplices sempre que um deles é apanhado com as calças na mão (ou sem elas) violando crianças da Casa Pia, roubando carris para vender na sucata, viabilizando centros comerciais em cima de reservas naturais, comprando habilitações para preencher os vazios humanísticos que a aculturação deixou em aberto ou aceitando acções não cotadas de uma qualquer obscuridade empresarial que rendem 147,5% ao ano. Lida cá fora a mensagem traduz-se na simplicidade brutal do mais interiorizado conceito em Portugal: nos grandes ninguém toca.




IRRRA, que isto não tem fim. Já devemos estar à frente da Itália. (em corrupção, claro)

FANATURE


sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Alda Merini


A tutte le donne

Fragile, opulenta donna, matrice del paradiso
sei un granello di colpa
anche agli occhi di Dio
malgrado le tue sante guerre
per l'emancipazione.
Spaccarono la tua bellezza
e rimane uno scheletro d'amore
che però grida ancora vendetta
e soltanto tu riesci
ancora a piangere,
poi ti volgi e vedi ancora i tuoi figli,
poi ti volti e non sai ancora dire
e taci meravigliata
e allora diventi grande come la terra
e innalzi il tuo canto d'amore.



A poetisa italiana Alda Merini, de 78 anos, considerada a última grande expoente deste género em Itália, faleceu no domingo no hospital São Paulo de Milão após doença prolongada, informaram os “media” italianos.
Fonte: PUBLICO

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Tocha - Unidade Imagiológica já funciona no Centro Medicina Rovisco Pais

Entrou em funcionamento no Centro de Medicina de Reabilitação da Região Centro – Rovisco Pais, na Tocha, uma nova unidade de Imagiologia cuja capacidade, disse ao Diário de Coimbra o presidente do conselho
de administração do CMRRC, abrange a radiologia convencional em geral e a ecografia dos vários tipos de estruturas», incluindo «a ecografia endocavitária e estudo doppler venoso e arterial».
Manuel Teixeira Veríssimo diz que este equipamento, «de elevada qualidade» irá responder não só às necessidades do próprio Centro de Medicina do Rovisco Pais, mas também às necessidades das populações da regiões vizinhas, «que aqui poderá recorrer» na sequência de acordos já firmados com o Serviço Nacional de Saúde (SNS) e outros subsistemas de saúde.
Neste momento este novo serviço está a funcionar com um médico e um técnico, porém, adianta Teixeira Veríssimo, a equipa será reforçada gradualmente com o fluxo de utentes, já que, assegura este responsável, «vamos servir milhares de utentes de toda a região» (Cantanhede, Mira, Tocha, Montemor-o-Velho, Arazede…) que, agora, já não precisam de se deslocar aos grandes centros de Coimbra, Aveiro ou Figueira da Foz, para realizarem exames do sector de Imagiologia.
Todo o equipamento da nova unidade, segundo Teixeira Veríssimo, custou ao Centro de Medicina «cerca de 600 mil euros», subsidiados «em parte», pelo PIDDAC – Programa de Investimentos e Despesas de Desenvolvimento da Administração Central e do Programa Operacional Saúde XXI.

FONTE

sábado, 31 de outubro de 2009

CANTANHEDE - Tribunal condenou dois jovens por roubo em Ançã

Apesar do longo cadastro e reincidências no mundo do crime, quer de P. Gonçalves, 24 anos como de H. Filipe, de 20 anos, o colectivo do Tribunal de Cantanhede aplicou a ambos penas relativamente leves pelo crime que ambos praticaram em co-autoria em 13 de Novembro de 2008, em Ançã, que consistiu no roubo de dois telemóveis e uma carteira com dinheiro a Pedro Miguel, com uso de violência.
Este tipo de penas que o Código “Casa Pia “ possibilita, longe de combaterem a criminalidade, só a incentivam e contribuem para aumentar o clima de insegurança.
Para os criminosos, a sistema tenta encontrar toda a espécie de desculpas de segundas oportunidades, para as vitimas o sistema enfia a cabeça na areia.
A Justiça constitui, porventura, a mais nobre função do Estado. Seria impensável imaginar há alguns anos a situação extrema de degradação a que chegou a Justiça em Portugal. O diagnóstico que fazemos diz-nos que estamos hoje perante uma moderna forma de totalitarismo, que vai avançando em surdina, e que tem construído a Justiça sob o desígnio de interesses obscuros e contrários ao interesse Nacional. A Justiça é hoje responsável, em grande parte, pelo atraso económico do país. Os processos não avançam, os julgamentos demoram anos, e muitos casos, quase sempre relacionados com políticos, nem chegam a sair da gaveta. Entendemos necessária uma reforma no sector da Justiça. Não tanto orgânica, como tem sido discutido pelos tecnocratas, mas sobretudo a nível de transparência, agilização de processos, e na "limpeza" que é urgente e necessária efectuar em vários sectores da sociedade, a começar pela própria Justiça.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Opinião: Sobre Caim, por Pilar del Río


A jornalista Pilar del Río, casada com José Saramago, escreve hoje (29/10/2009) no DN sobre o novo livro do Nobel da Literatura português que tem causado polémica na sociedade portuguesa.

Sobre Caim
Li várias vezes, traduzi-o inclusive para castelhano, o último romance de José Saramago, Caim, uma fábula humana, tão humana que pensei que iria provocar perguntas humanas. Para minha surpresa, tal não ocorreu. De imediato, uma parte da sociedade começou a falar de Deus e da Bíblia, corrente de ar fresco que se agradece se tivermos em conta o teor de outras polémicas, mas ninguém assinalou o que do meu ponto de vista é essencial neste livro: que o género humano não é de fiar. Ler mais aqui

Gripe nas escolas


Escolas com novas regras após 142 focos em apenas três dias

por RITA CARVALHO Diário de Notícias
Nos últimos três dias, foram registados 142 novos focos de gripe nas escolas portuguesas. A subida exponencial de casos entre crianças e jovens levou ontem a Direcção-geral de Saúde (DGS) a reforçar as recomendações de prevenção feitas às escolas, onde as verbas distribuídas pelo Ministério da Educação já foram reforçadas, pois tinham esgotado logo no início do ano lectivo.
Os focos de gripe pressupõem a existência de vários casos confirmados ou suspeitos. Como o de terça- feira que envolveu nove crianças numa escola em Leiria e obrigou ontem à suspensão da turma. Por isso, nestes três dias podem ter sido infectadas algumas centenas de crianças nestas escolas.
A partir de agora, os alunos que estiveram na mesma sala onde foram confirmados casos de H1N1 - e há suspeitas de transmissão a outras crianças - , deverão ficar em casa durante sete dias, mesmo que não tenham sintomas de gripe. O encerramento de salas e turmas só deve, contudo, ocorrer quando ainda houver poucos casos na escola. Numa fase de disseminação alargada da doença, o impacto do encerramento passa a ser diminuto.
Para ser tomada esta decisão, a DGS recomenda que sejam avaliados os impactos sociais e económicos negativos. A decisão deve, por isso, envolver as autoridades escolares, de saúde e os pais.
O dinheiro que chegou às escolas no Verão para a prevenção esgotou-se em dois meses. No final de Setembro, poucas semanas depois do início do ano lectivo, quatro das cinco direcções regionais de educação foram obrigadas a reforçar novamente o orçamento das escolas para a compra de toalhetes e desinfectantes para mãos e mesas. Na Região da Grande Lisboa, onde se regista o maior número de casos, no total, cada escola já recebeu entre 1650 e 2000 euros.
"As escolas receberam uma primeira dotação em Julho que depois foi reforçada. Esta verba é atribuída consoante o número de alunos. E houve ainda reforços pontuais para garantir que os consumíveis são repostos", afirmou ao DN José Joaquim Leitão, o director de Educação da Região de Lisboa e Vale do Tejo. Numa primeira fase, o dinheiro foi aplicado na elaboração dos planos de contingência, na disponibilização de informação didáctica e na criação de salas de isolamento para os casos suspeitos. Poucas semanas depois das aulas começarem, foi necessário reforçar o dinheiro para o material desinfectante.
Na região do Alentejo, o orçamento inicial de Julho também só chegou para as primeiras semanas e foi reforçado antes de Outubro. Carlos Calhau, subdirector regional, explicou ao DN que a verba total para as 97 unidades escolares já chega aos 180 mil euros, uma média de dois mil euros por escola. "Acredito que esta verba permitirá cobrir o primeiro período escolar", acrescentou Carlos Calhau, salientando que na região foram sinalizadas ainda poucas dezenas de casos.
As escolas da região Norte também viram o seu orçamento reforçado pela segunda vez no início de Outubro, explicou ao DN Gonçalo Rocha, da DREN. Na primeira tranche, a verba foi, em média, de 750 euros para as escolas com contrato de associação com as autarquias e de dois mil euros para as que são tuteladas só pelo ME. O responsável da DREN explicou ainda que as unidades escolares que lidam com casos de autismo e multideficiência apresentam especificidades diferentes e receberam mais dinheiro.
Na zona centro, o plafond das escolas também foi reabastecido no início do ano lectivo. A única direcção regional do País que não necessitou de reforçar a verba foi a do Algarve. Olga Neves, da DREALG, diz que "está tudo a decorrer dentro da normalidade. E se isso acontecer, as câmaras deverão ser as primeiras a socorrer as escolas em falta".

Bullying nas escolas

As principais conclusões de uma tese de doutoramento, e que foi coordenada, entre outros, pela investigadora portuguesa Ana Maria Tomás Almeida, da Universidade do Minho refere que a maioria dos adolescentes acha que o bullying em contexto escolar "sempre existiu e continuará a existir" e encaram com "pessimismo e resignação" o fenómeno, o que torna difícil uma intervenção eficaz e deixa pouca esperança à sua erradicação. Os autores pensam que "As soluções poderão passar por uma maior supervisão dos espaços que, se acontece com relativa eficácia nos 1.º e 2.º ciclos, no 3º ciclo, que corresponde ao pico da ocorrência deste fenómeno, na generalidade, praticamente não existe, por outro lado há que apostar numa rígida regulamentação nas escolas, consciencializar os pais de que existe um regulamento disciplinar que deve ser respeitado e que deve ser transmitido aos alunos".
Ora, isto deve ser um alerta para os responsáveis do Ministério da Educação, que devem olhar para o défice de funcionários existentes nas escolas. Sem estes agentes que podem prevenir, evitar e denunciar muitos casos de bullying, pouco ou nada podem fazer os regulamentos das escolas. Consciencializar e penalizar os pais que têm na escola um depósito para os seus educandos também deve ser assunto de reflexão.

O estudo diz ainda que "O questionário aplicado aos jovens revela que as vítimas de bullying são descritos como pessoas passivas, socialmente incompetentes, ansiosas, depressivas e inseguras; por outro lado, os agressores, são vistos como fortes, extrovertidos e alegres, detentores de um poder e confiança que reforçam o seu carácter de liderança dentro do grupo."

Não posso discordar mais desta opinião, pois da experiência que tenho do ensino, o perfil do agressor é a de um aluno forte, mal educado que não sabe e não compreende as normas sociais, que tanto pode ser vítima em casa, como seguidor dos exemplos que observa.

É um problema grave que urge resolver e ter a atenção de todos os elementos da comunidade escolar pois as crianças que são vítimas sofrem e muito com esta situação.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Cursos de Especialização Tecnológica

As candidaturas são formalizadas exclusivamente on-line e decorrem entre até 23 de Outubro. As aulas têm início a 16 de Novembro.A Universidade de Aveiro, através de três das suas escolas superiores - Escola Superior Aveiro Norte (ESAN), Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Águeda (ESTGA) e Instituto Superior de Contabilidade e Administração da Universidade de Aveiro (ISCA-UA), vai ministrar, este ano lectivo 2009/2010, em várias localidades do distrito de Aveiro, 25 Cursos de Especialização Tecnológica (CET), a maioria dos quais em regime pós-laboral. A criação de oportunidades de formação para públicos diversos, com necessidades específicas, tem sido, desde sempre, uma prioridade para a Universidade de Aveiro. Neste sentido, a oferta formativa desta instituição procura dar resposta aos desafios com que os indivíduos se deparam em termos profissionais, oferecendo alternativas válidas e reconhecidas internacionalmente.Os cursos de especialização tecnológica, regulamentados pelo Decreto-Lei nº 88/2006, de 23 de Maio de 2006, são cursos pós-secundários não superiores que visam a aquisição do nível 4 de formação profissional.Os planos de formação destes cursos estão direccionados para uma efectiva inserção profissional e para assegurar também o reconhecimento dessas aprendizagens para efeitos de prosseguimento de estudos no ensino superior. Estes planos compreendem as componentes de formação geral e científica e de formação tecnológica, que perfazem cerca de 860 h (aproximadamente um ano) e complementada pela formação em contexto de trabalho (540h, entre três a seis meses) a ser realizada em várias empresas da região.Este ano lectivo, Águeda, Albergaria-a-Velha, Aveiro, Cantanhede, Estarreja, Oliveira de Azeméis, S. João da Madeira, Sever do Vouga e Vagos são os concelhos onde vão decorrer estes cursos.
Fonte:Universia

A GRIPE H1N1

Depois de ver este video fiquei preocupado. Mas em que mundo vivemos? Quem fala verdade? Tirem as vossas conclusões depois de verem e ouvirem.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Estação dos comboios de Cantanhede

Para não esquecer!

A nova Ministra da Educação

Isabel Alçada - Maria Isabel Girão de Melo Veiga Vilar
Nasceu em Lisboa a 29 de Maio de 1950
Escritora, autora de numerosos livros infanto-juvenis em parceria com Ana Maria Magalhães desde 1982
Licenciada em Filosofia pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
Mestre em Análise Social da Educação pela Universidade de Boston, Massachusetts, EUA
Administradora da Fundação de Serralves (2000-2004)
Professora Adjunta da Escola Superior de Educação de Lisboa
Comissária do Plano Nacional de Leitura (2006-2009)
Fontes: GPM e Editorial Caminho
Funções Governamentais Exercidas
Desde 2009-10-26Ministra da Educação do XVIII Governo Constitucional

DE RESTO II - Mide Plácido

domingo, 25 de outubro de 2009

Mide Plácido - exposição de pintura







Exposição fantástica de se ver, esta que está patente na Casa Municipal da Cultura em Cantanhede. Um conjunto de quarenta trabalhos criados a partir de vários suportes (restos) com resíduos e objectos velhos, formando um todo homogéneo, onde ressalta a cor castanha e ocre. Tenho acompanhado o trabalho de Mide e constato que está em plena vitalidade o seu processo de trabalho. Atrevo-me a dizer que se encontra ao melhor do que se faz em Portugal.

Manifesto de obama para os alunos

Sei que para muitos de vocês hoje é o primeiro dia de aulas, e para os que entraram para o jardim infantil, para a escola primária ou secundária, é o primeiro dia numa nova escola, por isso é compreensível que estejam um pouco nervosos. Também deve haver alguns alunos mais velhos, contentes por saberem que já só lhes falta um ano. Mas, estejam em que ano estiverem, muitos devem ter pena por as férias de Verão terem acabado e já não poderem ficar até mais tarde na cama.Também conheço essa sensação. Quando era miúdo, a minha família viveu alguns anos na Indonésia e a minha mãe não tinha dinheiro para me mandar para a escola onde andavam os outros miúdos americanos. Foi por isso que ela decidiu dar-me ela própria umas lições extras, segunda a sexta-feira, às 4h30 da manhã.A ideia de me levantar àquela hora não me agradava por aí além. Adormeci muitas vezes sentado à mesa da cozinha. Mas quando eu me queixava a minha mãe respondia-me: "Olha que isto para mim também não é pêra doce, meu malandro..."Tenho consciência de que alguns de vocês ainda estão a adaptar-se ao regresso às aulas, mas hoje estou aqui porque tenho um assunto importante a discutir convosco. Quero falar convosco da vossa educação e daquilo que se espera de vocês neste novo ano escolar.Já fiz muitos discursos sobre educação, e falei muito de responsabilidade. Falei da responsabilidade dos vossos professores de vos motivarem, de vos fazerem ter vontade de aprender. Falei da responsabilidade dos vossos pais de vos manterem no bom caminho, de se assegurarem de que vocês fazem os trabalhos de casa e não passam o dia à frente da televisão ou a jogar com a Xbox. Falei da responsabilidade do vosso governo de estabelecer padrões elevados, de apoiar os professores e os directores das escolas e de melhorar as que não estão a funcionar bem e onde os alunos não têm as oportunidades que merecem.No entanto, a verdade é que nem os professores e os pais mais dedicados, nem as melhores escolas do mundo são capazes do que quer que seja se vocês não assumirem as vossas responsabilidades. Se vocês não forem às aulas, não prestarem atenção a esses professores, aos vossos avós e aos outros adultos e não trabalharem duramente, como terão de fazer se quiserem ser bem sucedidos.E hoje é nesse assunto que quero concentrar-me: na responsabilidade de cada um de vocês pela sua própria educação.Todos vocês são bons em alguma coisa. Não há nenhum que não tenha alguma coisa a dar. E é a vocês que cabe descobrir do que se trata. É essa oportunidade que a educação vos proporciona.Talvez tenham a capacidade de ser bons escritores - suficientemente bons para escreverem livros ou artigos para jornais -, mas se não fizerem o trabalho de Inglês podem nunca vir a sabê-lo. Talvez sejam pessoas inovadoras ou inventores - quem sabe capazes de criar o próximo iPhone ou um novo medicamento ou vacina -, mas se não fizerem o projecto de Ciências podem não vir a percebê-lo. Talvez possam vir a ser mayors ou senadores, ou juízes do Supremo Tribunal, mas se não participarem nos debates dos clubes da vossa escola podem nunca vir a sabê-lo.No entanto, escolham o que escolherem fazer com a vossa vida, garanto-vos que não será possível a não ser que estudem. Querem ser médicos, professores ou polícias? Querem ser enfermeiros, arquitectos, advogados ou militares? Para qualquer dessas carreiras é preciso ter estudos. Não podem deixar a escola e esperar arranjar um bom emprego. Têm de trabalhar, estudar, aprender para isso.E não é só para as vossas vidas e para o vosso futuro que isto é importante. O que vocês fizerem com os vossos estudos vai decidir nada mais nada menos que o futuro do nosso país. Aquilo que aprenderem na escola agora vai decidir se enquanto país estaremos à altura dos desafios do futuro.Vão precisar dos conhecimentos e das competências que se aprendem e desenvolvem nas ciências e na matemática para curar doenças como o cancro e a sida e para desenvolver novas tecnologias energéticas que protejam o ambiente. Vão precisar da penetração e do sentido crítico que se desenvolvem na história e nas ciências sociais para que deixe de haver pobres e sem-abrigo, para combater o crime e a discriminação e para tornar o nosso país mais justo e mais livre. Vão precisar da criatividade e do engenho que se desenvolvem em todas as disciplinas para criar novas empresas que criem novos empregos e desenvolvam a economia.Precisamos que todos vocês desenvolvam os vossos talentos, competências e intelectos para ajudarem a resolver os nossos problemas mais difíceis. Se não o fizerem - se abandonarem a escola -, não é só a vocês mesmos que estão a abandonar, é ao vosso país.Eu sei que não é fácil ter bons resultados na escola. Tenho consciência de que muitos têm dificuldades na vossa vida que dificultam a tarefa de se concentrarem nos estudos. Percebo isso, e sei do que estou a falar. O meu pai deixou a nossa família quando eu tinha dois anos e eu fui criado só pela minha mãe, que teve muitas vezes dificuldade em pagar as contas e nem sempre nos conseguia dar as coisas que os outros miúdos tinham. Tive muitas vezes pena de não ter um pai na minha vida. Senti-me sozinho e tive a impressão que não me adaptava, e por isso nem sempre conseguia concentrar-me nos estudos como devia. E a minha vida podia muito bem ter dado para o torto.Mas tive sorte. Tive muitas segundas oportunidades e consegui ir para a faculdade, estudar Direito e realizar os meus sonhos. A minha mulher, a nossa primeira-dama, Michelle Obama, tem uma história parecida com a minha. Nem o pai nem a mãe dela estudaram e não eram ricos. No entanto, trabalharam muito, e ela própria trabalhou muito para poder frequentar as melhores escolas do nosso país.Alguns de vocês podem não ter tido estas oportunidades. Talvez não haja nas vossas vidas adultos capazes de vos dar o apoio de que precisam. Quem sabe se não há alguém desempregado e o dinheiro não chega. Pode ser que vivam num bairro pouco seguro ou os vossos amigos queiram levar-vos a fazer coisas que vocês sabem que não estão bem.Apesar de tudo isso, as circunstâncias da vossa vida - o vosso aspecto, o sítio onde nasceram, o dinheiro que têm, os problemas da vossa família - não são desculpa para não fazerem os vossos trabalhos nem para se portarem mal. Não são desculpa para responderem mal aos vossos professores, para faltarem às aulas ou para desistirem de estudar. Não são desculpa para não estudarem.A vossa vida actual não vai determinar forçosamente aquilo que vão ser no futuro. Ninguém escreve o vosso destino por vocês. Aqui, nos Estados Unidos, somos nós que decidimos o nosso destino. Somos nós que fazemos o nosso futuro.E é isso que os jovens como vocês fazem todos os dias em todo o país. Jovens como Jazmin Perez, de Roma, no Texas. Quando a Jazmin foi para a escola não falava inglês. Na terra dela não havia praticamente ninguém que tivesse andado na faculdade, e o mesmo acontecia com os pais dela. No entanto, ela estudou muito, teve boas notas, ganhou uma bolsa de estudos para a Universidade de Brown, e actualmente está a estudar Saúde Pública.Estou a pensar ainda em Andoni Schultz, de Los Altos, na Califórnia, que aos três anos descobriu que tinha um tumor cerebral. Teve de fazer imensos tratamentos e operações, uma delas que lhe afectou a memória, e por isso teve de estudar muito mais - centenas de horas a mais - que os outros. No entanto, nunca perdeu nenhum ano e agora entrou na faculdade.E também há o caso da Shantell Steve, da minha cidade, Chicago, no Illinois. Embora tenha saltado de família adoptiva para família adoptiva nos bairros mais degradados, conseguiu arranjar emprego num centro de saúde, organizou um programa para afastar os jovens dos gangues e está prestes a acabar a escola secundária com notas excelentes e a entrar para a faculdade.A Jazmin, o Andoni e a Shantell não são diferentes de vocês. Enfrentaram dificuldades como as vossas. Mas não desistiram. Decidiram assumir a responsabilidade pelos seus estudos e esforçaram-se por alcançar objectivos. E eu espero que vocês façam o mesmo.É por isso que hoje me dirijo a cada um de vocês para que estabeleça os seus próprios objectivos para os seus estudos, e para que faça tudo o que for preciso para os alcançar. O vosso objectivo pode ser apenas fazer os trabalhos de casa, prestar atenção às aulas ou ler todos os dias algumas páginas de um livro. Também podem decidir participar numa actividade extracurricular, ou fazer trabalho voluntário na vossa comunidade. Talvez decidam defender miúdos que são vítimas de discriminação, por serem quem são ou pelo seu aspecto, por acreditarem, como eu acredito, que todas as crianças merecem um ambiente seguro em que possam estudar. Ou pode ser que decidam cuidar de vocês mesmos para aprenderem melhor. E é nesse sentido que espero que lavem muitas vezes as mãos e que não vão às aulas se estiverem doentes, para evitarmos que haja muitas pessoas a apanhar gripe neste Outono e neste Inverno.Mas decidam o que decidirem gostava que se empenhassem. Que trabalhassem duramente. Eu sei que muitas vezes a televisão dá a impressão que podemos ser ricos e bem-sucedidos sem termos de trabalhar - que o vosso caminho para o sucesso passa pelo rap, pelo basquetebol ou por serem estrelas de reality shows -, mas a verdade é que isso é muito pouco provável. A verdade é que o sucesso é muito difícil. Não vão gostar de todas as disciplinas nem de todos os professores. Nem todos os trabalhos vão ser úteis para a vossa vida a curto prazo. E não vão forçosamente alcançar os vossos objectivos à primeira.No entanto, isso pouco importa. Algumas das pessoas mais bem-sucedidas do mundo são as que sofreram mais fracassos. O primeiro livro do Harry Potter, de J. K. Rowling, foi rejeitado duas vezes antes de ser publicado. Michael Jordan foi expulso da equipa de basquetebol do liceu, perdeu centenas de jogos e falhou milhares de lançamentos ao longo da sua carreira. No entanto, uma vez disse: "Falhei muitas e muitas vezes na minha vida. E foi por isso que fui bem-sucedido."Estas pessoas alcançaram os seus objectivos porque perceberam que não podemos deixar que os nossos fracassos nos definam - temos de permitir que eles nos ensinem as suas lições. Temos de deixar que nos mostrem o que devemos fazer de maneira diferente quando voltamos a tentar. Não é por nos metermos num sarilho que somos desordeiros. Isso só quer dizer que temos de fazer um esforço maior por nos comportarmos bem. Não é por termos uma má nota que somos estúpidos. Essa nota só quer dizer que temos de estudar mais.Ninguém nasce bom em nada. Tornamo-nos bons graças ao nosso trabalho. Não entramos para a primeira equipa da universidade a primeira vez que praticamos um desporto. Não acertamos em todas as notas a primeira vez que cantamos uma canção. Temos de praticar. O mesmo acontece com o trabalho da escola. É possível que tenham de fazer um problema de Matemática várias vezes até acertarem, ou de ler muitas vezes um texto até o perceberem, ou de fazer um esquema várias vezes antes de poderem entregá-lo.Não tenham medo de fazer perguntas. Não tenham medo de pedir ajuda quando precisarem. Eu todos os dias o faço. Pedir ajuda não é um sinal de fraqueza, é um sinal de força. Mostra que temos coragem de admitir que não sabemos e de aprender coisas novas. Procurem um adulto em quem confiem - um pai, um avô ou um professor ou treinador - e peçam-lhe que vos ajude.E mesmo quando estiverem em dificuldades, mesmo quando se sentirem desencorajados e vos parecer que as outras pessoas vos abandonaram - nunca desistam de vocês mesmos. Quando desistirem de vocês mesmos é do vosso país que estão a desistir.A história da América não é a história dos que desistiram quando as coisas se tornaram difíceis. É a das pessoas que continuaram, que insistiram, que se esforçaram mais, que amavam demasiado o seu país para não darem o seu melhor.É a história dos estudantes que há 250 anos estavam onde vocês estão agora e fizeram uma revolução e fundaram este país. É a dos estudantes que estavam onde vocês estão há 75 anos e ultrapassaram uma depressão e ganharam uma guerra mundial, lutaram pelos direitos civis e puseram um homem na Lua. É a dos estudantes que estavam onde vocês estão há 20 anos e fundaram a Google, o Twitter e o Facebook e mudaram a maneira como comunicamos uns com os outros.Por isso hoje quero perguntar-vos qual é o contributo que pretendem fazer. Quais são os problemas que tencionam resolver? Que descobertas pretendem fazer? Quando daqui a 20 ou a 50 ou a 100 anos um presidente vier aqui falar, que vai dizer que vocês fizeram pelo vosso país?As vossas famílias, os vossos professores e eu estamos a fazer tudo o que podemos para assegurar que vocês têm a educação de que precisam para responder a estas perguntas. Estou a trabalhar duramente para equipar as vossas salas de aulas e pagar os vossos livros, o vosso equipamento e os computadores de que vocês precisam para estudar. E por isso espero que trabalhem a sério este ano, que se esforcem o mais possível em tudo o que fizerem. Espero grandes coisas de todos vocês. Não nos desapontem. Não desapontem as vossas famílias e o vosso país. Façam-nos sentir orgulho em vocês. Tenho a certeza que são capazes.

Cantanhede