terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Constâncio está entre os banqueiros centrais mais bem pagos do mundo


Nunca, como no último ano, a opinião pública ouviu falar tanto dos governadores dos bancos centrais. Até há um ano, para a maioria das pessoas estes banqueiros existiam apenas como os gestores dos juros. Mas a actual crise veio colocá-los no centro da política económica, devido às suas competências de supervisão e de assistência a instituições em dificuldades. A importância que assumiram volta a colocar a questão: quanto vale um governador? Para o Ministério das Finanças português, o cargo ocupado por Vítor Constâncio vale uma remuneração anual de perto de 250 mil euros por ano, cerca de 18 vezes o rendimento nacional 'per capita'. Já para a Administração norte-americana, o lugar ocupado por Ben Bernanke justifica apenas 140 mil euros anuais, ou seja, 4,2 vezes o rendimento 'per capita' dos EUA.

sábado, 6 de dezembro de 2008

A IMPUNIDADE É A NOVA DEMOCRACIA

Este devia ser o título da informação dada em baixo. "Vampiros"

Os Vampiros



Manuel José Dias Loureiro e Jorge Coelho são accionistas da Valor Alternativo, uma sociedade anónima gestora que administra e representa o Fundo de Investimento Imobiliário Valor Alcântara, que foi constituído com imóveis adquiridos com o produto de reembolsos ilícitos de IVA, no montante de 4,5 milhões de euros. A Valor Alternativo e o Fundo Valor Alcântara têm a mesma sede social, em Miraflores, Algés, e os bens deste último já foram apreendidos à ordem de um inquérito em que a Polícia Judiciária e a administração fiscal investigam uma fraude fiscal superior a cem milhões de euros.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Bussaco


A sorte da Ministra


Ministra admite substituir modelo de avaliação no próximo ano lectivo




Cobarde agresión a Ministra de Educación Mónica Jiménez

Humor


Bancos - Já o dizia THOMAS JEFFERSON...há 200 anos




quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Sindicatos apontam adesão à greve de 94%, Governo fica-se pelos 61


CONCELHO DE CANTANHEDE: 93,32 %Agrupamento de Escolas Finisterra: 93,33 %Agrupamento de Escolas da Tocha: 88,44 %Agrupamento de Escolas de Cantanhede: 96,49 %Escola Secundária de Cantanhede: 95,00 %

CONCELHO DA FIGUEIRA DA FOZ: 89,20 %Escola Secundária Cristina Torres: 100,00 %Escola Secundária Dr. Joaquim de Carvalho: 90,24 %Escola Secundária Dr. Bernardino Machado: 82,76 %Agrupamento de Escolas da Zona Urbana: 76,92 %Agrupamento de Escolas das Alhadas: 100,00 %Agrupamento de Escolas de Buarcos: 94,74 %Agrupamento de Escolas do Paião: 79,76 %

CONCELHO DE MONTEMOR-O-VELHO: 89,71 %Escola Secundária de Montemor: 88,24 %Agrupamento de Escolas de Arazede: 82,77 %Agrupamento de Escolas da Carapinheira: 93,33 %Agrupamento de Escolas de Montemor: 94,48 %

CONCELHO DE MIRA: 93,65 %Escola Secundária de Mira: 97,00 %Agrupamento de Escolas de Mira: 90,29 %

CONCELHO DE SOURE: 94,58 %Agrupamento de Escolas de Soure: 94,58 %

O Ministério da educação só consegue contar até aos 61% ... todos os meios de comunicação social viram que esta greve atingiu níveis nunca vistos. Parece que há lições a tirar, não é????



A Plataforma Sindical dos Professores disse que a greve dos professores registou uma adesão de 94 por cento, tendo sido "a maior" paralisação de docentes em Portugal. "É a maior greve de sempre dos professores em Portugal", disse, em conferência de imprensa, o porta-voz da Plataforma Sindical dos Professores, Mário Nogueira.
Segundo o Ministério da Educação, a greve dos professores registou uma adesão de 61 por cento, obrigando ao encerramento de 30 por cento das escolas do país. Mário Nogueira escusou-se comentar os números avançados pelo Governo: "Nem sequer os discutimos, o que nós registamos daquilo que foi dito pelo governo foi que pela primeira vez teve a capacidade de dizer que estávamos perante uma greve significativa".

O "Jornal de Notícias" acompanhou a greve dos professores em várias escolas do país. Nos vários distritos onde passou, a situação foi calma, não houve manifestações de apoio ou repúdio, apenas o gáudio de muitos alunos com a confirmação de “um feriado” há muito anunciado. Os sindicatos falam em 95% de adesão à paralisação, decretada como protesto ao novo modelo de avaliação.
Guarda perto dos 100%
Os dados apurados pelo JN, junto de fonte sindical, situam a greve no distrito da Guarda perto dos 100%. “É uma greve histórica”, disse Sofia Monteiro, coordenadora do Sindicato dos Professores da Região Centro (SPRC). Das 29 escolas secundárias do distrito, 19 registavam entre 99 e 100% de adesão. Entre as outras 10, os professores em greve passavam os 95%.
Entre as escolas do 1º Ciclo, a adesão à greve situa-se entre os 98 e os 100%, sendo na maioria estará mesmo parada. A título de exemplo, na escola do Bonfim, na Guarda, o sindicato diz que há apenas um professor a leccionar.
Os alunos aproveitaram o “feriado” anunciado, para gozar a manhã sem aulas, sem manifestações ou confusões. Os Conselhos Executivos já haviam informado as transportadoras, que levaram de volta a casa os alunos que, diariamente, se deslocam de autocarro das várias aldeias para a sede do distrito.
Aveiro entre os 76 e os 100%
Em Aveiro, a adesão à greve varia entre um mínimo de 76 e um máximo de 100%, números apurados pelo JN junto de fonte sindical. Na preparatória João Afonso, não houve professores para dar aulas, o que também aconteceu nos jardins de infância e escolas do 1º ciclo do agrupamento de Aveiro, onde a greve teve uma adesão total. A secundária Homem Cristo registou, também, 100% de adesão ao protesto.
Na secundária José Estêvão, também em Aveiro, a greve situou-se nos 80%, um pouco acima dos 76% registado na Mário Sacramento. Entre uma e outra, na primária da Vera Cruz, só quatro dos 18 professores é que não aderiram à greve, o que redunda em cerca de 72% de adesão ao protesto. Em Ílhavo, a greve tocou os 100%, tanto na Escola Secundária como na EB 2,3.
Viseu entre acima dos 90%
No distrito de Viseu, a greve de professores registava, ao fim da manhã, o encerramento de 39 dos 65 agrupamentos de escolas no distrito de Viseu. Os restantes apresentavam índices de adesão que oscilavam entre os 72% (escola dos 2º e 3º ciclos do Ensino Básico de Penalva do Castelo) e os 99% (agrupamentos de escolas Ana de Castro Osório em Mangualde e S. João da Pesqueira.
Francisco Almeida, dirigente local do SPRC, considerava que no distrito de Viseu era“mais fácil encontrar uma agulha num palheiro do que um professor a trabalhar”. O sindicalista sublinhou que, na prática, “não houve aulas em todas as escolas do distrito de Viseu”.“
“Em Mangualde, apenas uma professora a deu aulas. A adesão a greve é de 99%. Francisco Almeida lembra ainda que em Cinfães “os 83 professores do 1º ciclo do ensino básico estiveram todos em greve".
Na EB 2,3 Infante D. Henrique, em Repeses, Viseu, a ministra da Educação teve direito a uma canção muito especial. Fernando Pereira, o seu autor, fez incidir sobre o refrão a ideia geral da melodia: “está na hora de a ministra ir embora”. O docente assume que se trata de uma forma de “intervenção e protesto”. Uma maneira de mostrar à tutela que “a Educação é a grande riqueza de um país”.
Braga ronda os 95% de adesão
Em vários concelhos do distrito de Braga, a adesão à greve ultrapassa os 95% e em várias escolas só apareceram ao serviço um ou dois professores. Alguns estabelecimentos de ensino tinham as portas abertas e os serviços mínimos a funcionar, mas por todo o distrito foram raras as aulas dadas, da parte da manhã.
Na capital de distrito, na EB 2,3 Carlos Amarante, apareceram dois docentes, enquanto na Alberto Sampaio alguns docentes, sobretudo os mais jovens, apareceram para leccionar mas para um número reduzido de alunos. Nesta escola, os elementos do Conselho Executivo também fizeram greve. No Liceu D. Maria II, o presidente do Conselho Executivo, Vasco Grilo, contabilizou 90% de professores faltosos.
Na EB 2,3 de Lamaçães, com 1500 alunos, só se apresentou um professor de espanhol, numa adesão massiva que deixou os pais com a vida mais complicada. “Compreendo a luta, mas tenho três filhos e não tenho onde os deixar. Vou faltar hoje ao trabalho”, disse ao JN uma mãe que se deslocou à escola para ver se havia aulas.
Parretas, Nogueira, Maximinos, Palmeira ou Nogueira são alguns dos locais da cidade onde também não houve aulas nos vários estabelecimentos escolares. Mesmo com o peso da greve em curso, o Conservatório Calouste Gulbenkian registou 100% de adesão ao nível do primeiro ciclo. No segundo e terceiro ciclos, bem como no secundário, dos 55 docentes, 45 fizeram greve, o que situa os números da adesão nos 81%.
Em Vila Verde, Amares, Terras de Bouro, Póvoa de Lanhoso e Vieira do Minho há inúmeras escolas fechadas, a maioria com 100% de professores em greve.
Professores foram para a praça da Liberdade, no Porto
Na cidade do Porto, a manhã começou negra, chuvosa e sem aulas nos estabelecimentos de ensino visitados pelo JN. Às 8h30, na Escola Carolina Michaelis, os alunos subiam as escadas para poucos minutos depois as descerem já com a notícia de que não teriam aulas. A alegria de uns contrastava com a desilusão de outros. “Adormeci, mas vim à pressa porque amanhã vou ter um exame de História e afinal foi tudo para nada”, afirmou Joana Patrícia. “E não me parece que a professora adie porque ela não é de adiar”, acrescentou. À porta da escola, alheios à forte chuva, muitos alunos reuniam-se e alegremente faziam planos para o resto do dia. “Vamos para o shopping passear”, dizia a grande parte.
Às 9h00, na Escola Secundária Filipa de Vilhena, o cenário era semelhante, com todos os professores do primeiro turno da manhã a aderirem à greve. Durante o tempo que o JN passou à porta da escola apenas um docente entrou nas instalações e fez questão de dizer que vinha mas que não ia dar aulas e estava em greve. Pouco antes, um pai, depois de avisado telefonicamente pelo filho, veio buscá-lo para p levar a casa. “Já sabia e por isso estava de prevenção. Como moro perto, não me custa muito vir cá buscá-lo. Agora, vai passar o dia comigo” afirmou Paulo Sousa, salientando que concorda com as reivindicações dos professores e que dá todo o apoio à greve.
A meio da manhã, cerca de uma centena de professores estava concentrada na praça da Liberdade, no centro do Porto, em sinal de protesto contra o modelo de avaliação.
Leiria com média perto dos 90%Na região de Leiria, segundo dados do SPRC, as EB 2,3 Correia Alexandre, da Caranguejeira e dos Marrazes (em Leiria) e a de Pataias estiveram sem aulas, enquanto as duas principais escolas secundárias de Leiria (Domingos Sequeira e Francisco Rodrigues Lobo) tiveram uma adesão à greve de 91%. Os números de adesão mais baixos registaram-se no Agrupamento de Escolas da Benedita, Alcobaça, com 33,3%.A generalidade das escolas do primeiro ciclo e jardins de infância estiveram sem aulas.
Beja entre os 70 e os 99%
Em Beja, dados apurados directamente junto dos concelhos directivos, mostram alguma dispararidade na adesão à greve. O Agrupamento de Santa Marinha, com sete escolas, estava nos 99%, enquanto nas sete escolas do agrupamento Mário Beirão a greve se situava entre os 60 e os 70%. Pelo meio, 80% na secundária D. Manuel 1º, 86% na Diogo de Gouveia e 90% na Santiago Maior.
“Não faço greve porque sempre estive contra o modelo de avaliação. Mais agora, depois das alterações”, disse Conceição Casanova, uma das professoras da escola Santiago Maior que não aderiram à greve. Na de Santa Maria, Rogério Inácio também não aderiu à paralisação, simplesmente porque não podia: sendo um dos três professores do Curso de Educação e Formação, foi obrigado a leccionar.
Meio milhar nas ruas de Viana do Castelo
Em Viana do Castelo, cerca de 500 professores manifestaram-se na Praça da República. A chuva causou estragos na concentração, com os docentes algo espalhados pela praça, cartão de visita da cidade, mas não afectou a motivação.
“Queremos ser avaliados com seriedade” lia-se em alguns dos cartazes. Outros eram “Por uma escola de rigor e exigência”, com alguns professores a dirigirem os dizeres a Maria de Lurdes Rodrigues: “Senhora Ministra, queremos trabalhar com dignidade”.
A concentração começou às 10 horas na Praça da República, de onde saiu, uma hora depois, para o Governo Civil de Viana do Castelo. Em frente ao palácio, os professores acenaram com lenços brancos e pediram a demissão da ministra Maria de Lurdes Rodrigues.
Segundo dados apurados pelo JN junto de fonte sindical, a greve situa-se bem acima dos 90%, perto mesmo dos 100%, em todo o distrito de Viana do Castelo.
18h24mDenisa Sousa, Jesus Zing, Luís Martins, Luís Oliveira, Helena Silva, Teixeira Correia, Teresa Cardoso e Tiago Rodrigues Alves

O crime violento já não é um “privilégio” das grandes cidades


Desactivaram o alarme, desmontaram o sistema de videovigilância e furtaram um milhão de euros em ouro. Foi num armazém de Vilamar, no concelho de Cantanhede, algures entre sexta-feira à noite e ontem de manhã.
Numa fugaz troca de palavras com o JN, a filha de Idalino de Almeida Patrão, um dos maiores empresários do ramo da ourivesaria, na região de Cantanhede, disse que o assalto só foi detectado ontem de manhã, à hora de entrar ao serviço. Foi o "quinto" assalto a vitimar a empresa Patrão Novo & Filhos Ldª, nos últimos anos, contabilizou a filha de Idalino Patrão.
No último desses assaltos, em Junho do ano passado, um empregado da empresa foi mesmo atingido, por dois tiros de caçadeira, à porta do armazém. Mas a acção só rendeu, a quatro homens encapuzados, uma mala de relógios. Já desta feita, o crime foi "bem elaborado", comentou fonte da Polícia Judiciária de Coimbra. Confirmou que não é qualquer pessoa que consegue desactivar um sistema de alarme, mas não adiantou nada sobre a investigação.
Tudo se terá passado de forma muito discreta. "Moro a 50 metros e não dei por nada", contou um vizinho, no café de Vilamar onde o patrão do armazém de ouro, na casa dos 80 anos, costuma aparecer todos os dias, para uma hora de sueca. "Este fim-de-semana, não veio", confirmou uma mulher, atrás do balcão do Café Central, sugerindo que Idalino Patrão terá passado o fim-de-semana prolongado fora da terra. Ontem, também não jogou às cartas. "Ele está muito em baixo", deixou escapar a filha, na luxuosa vivenda da família, a 100 metros do armazém.
Neste edifício de um andar apenas, tudo terá começado com a desactivação do respectivo alarme.
Também foram registados arrombamentos de uma das janelas, com por persianas de alumínio, e de dois cofres onde estaria o ouro, avaliado num milhão de euros, contou a GNR. "Limparam tudo", acrescentou um morador.
No armazém, era guardado ouro que, posteriormente, seria vendido em ourivesarias. Mas o negócio está coberto por um seguro. Recentemente, apurou o JN, Idalino Patrão e o seu genro, que também é sócio da empresa, até terão trocado de seguradora.
Amanhã poderá ser num lugar perto de si.
Não acha que já é tempo de mudar de rumo?

LUTO




Dirigente da ADFA em greve de fome



"O presidente da delegação de Viseu da Associação de Deficientes das Forças Armadas, João Gonçalves, iniciou ontem uma greve de fome em protesto contra os cortes nos direitos à saúde e na actualização de pensões, previstos no Orçamento do Estado (OE). "Que me matem já e acaba-se o sofrimento de vez, porque estou farto de sofrer toda a vida", disse à agência Lusa. O PS chumbou ontem no Parlamento duas propostas de alteração à lei de OE, apresentadas pelo CDS-PP e que defendiam a reposição da assistência médica e a actualização das pensões indexada ao salário mínimo nacional.


"Público - 29 de Novembro
Publicada por JFS em 15:56

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Todos somos poucos


Carta aberta à ministra da Educação

2008-11-30
Yann Sèvegrand

Exma. Sra. Ministra da Educação, Pensei enviar-lhe esta carta através da morada de correio electrónico “gme@me.gov.pt”, mas como, da última vez que o fiz, a única resposta que obtive foi um recibo de recepção, optei por alterar o canal de transmissão. Gostaria de começar por manifestar alguma surpresa pelo que Vossa Excelência afirmou há algum tempo atrásnum jornal televisivo (aquando da primeira manifestação nacional de professores). De facto, disse que os professoresnão tinham motivos para reclamar, porque iriam ganhar ainda mais no topo da carreira. Tal afirmação teria mais sentidose o acesso a tais escalões não estivesse vedado à "plebe" e se anteriormente não tivesse afirmado que os professoresportugueses em final de carreira eram dos que ganhavam mais na Europa e que havia um fosso demasiado grande entreos professores com dez ou menos anos de carreira e os que se encontram no topo da mesma. Eu acrescentaria que,quanto aos salários, os professores portugueses em início de carreira estão francamente abaixo da média europeia. Ler mais aqui
Fonte: Jornal de Notícias

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Por Abril, pelo Socialismo, um Partido mais forte


O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, foi reeleito para um novo mandato de quatro anos esta segunda-feira pelo Comité Central do partido durante o XVIII Congresso Nacional do partido, que encerra hoje em Lisboa.
No secretariado do partido, eleito por unanimidade, mantém-se a esmagadora maioria dos membros, saindo apenas Rui Fernandes, dirigente que continua na Comissão Política.
Entretanto, a Comissão Política do PCP foi reduzida em quatro elementos com as saídas de Rosa Rabiais, José Neto, Agostinho Lopes, Sérgio Teixeira e José Casanova e a entrada de dois novos dirigentes, Jaime Toga e Vladimiro Vale.
De acordo com a lista dos órgãos executivos eleitos durante a madrugada desta segunda-feira, Albano Nunes e Luísa Araújo saíram da Comissão Política para o Secretariado do Comité Central.
Fazem parte da Comissão Política do PCP: Ângelo Alves, Armindo Miranda, Bernardino Soares, Carlos Gonçalves, Fernanda Mateus, Francisco Lopes, Jaime Toga, Jerónimo de Sousa, João Dias Miguel, João Frazão, Jorge Cordeiro, Jorge Pires, José Catalino, Margarida Botelho, Paulo Raimundo, Octávio Augusto, Rui Fernandes, Vasco Cardoso e Vladimiro Vale.
Para o Secretariado, foram eleitos: Albano Nunes, Alexandre Araújo, Francisco Lopes, Jerónimo de Sousa, Jorge Cordeiro, José Capucho, Luísa Araújo, Manuela Bernardino e Manuela Pinto Ângelo.
Na Comissão Central de Controlo constam: Abílio Fernandes, Alice Carregosa, Armando Morais, José Augusto Esteves, José Paleta, Maria da Piedade Morgadinho e Maria Vilaverde Cabral.
AMPLA FRENTE SOCIAL

No discurso de encerramento do congresso, Jerónimo de Sousa afirmou que o PCP será poder "quando os portugueses quiserem", recusando coligações ou "lugares oferecidos". Garantiu ainda que é numa "ampla frente social" que se vai criar "uma alternativa de esquerda - o PCP".

Aclamado num congresso que o elegeu por unanimidade, Jerónimo de Sousa defendeu que é na convergência de "uma ampla frente social" que o País encontrará o PCP. "É aí que nos encontrarão. A seu lado e com eles. E, mais do que nos dizerem 'lutem lá por nós' , (e disso podem ter a certeza) que nos digam antes 'lutaremos convosco", insistiu. Neste contexto, o líder comunista acrescentou: "A nossa participação no poder será quando o povo português quiser".

A concluir o discurso, Jerónimo de Sousa recorreu a um slogan "Sim é possível" para demonstrar que o País tem condições para ter um Serviço Nacional de Saúde gratuito, "ensino democrático", entre outras matérias. Para o efeito, basta que se retome e efective "o projecto que a Constituição da República ainda consagra", declarou.
Fonte: Correio da Manhã

Coimbra tem mais encanto...


sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Professores em manifestação em Coimbra

Homenagem ao professor

Orgulho Docente







A Ministra

Um amigo lembrou com sabedoria este belo poema de Bocage

Baixa, de olhos ruins, amarelenta,
Usando só de raiva e de impostura,
Triste de facha, o mesmo de figura,
Um mar de fel, malvada e quezilenta ;

Arzinho confrangido que atormenta,
Sempre infeliz e de má catadura,
Mui perto de perder a compostura,
É cruel, mentirosa e rabugenta.

Rosto fechado, o gesto de fuinha,
Voz de lamento e ar de coitadinha,
Com pinta de raposa assustadinha,
É só veneno, a ditadorazinha.

Se não sabes quem é, dou-te uma pista:
Prepotente, mui gélida e sinistra,
Amarga, matreira e intriguista,
Abusa do poder... e é MINISTRA.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

4 de Dezembro - Dia internacional da pessoa com Deficiência


No dia 4 de Dezembro, para assinalar Dia Internacional da Pessoa com Deficiência


Palestra sobre A Pessoa com Deficiência - Uma Causa Comum, na Biblioteca Municipal de Cantanhede
A Pessoa com Deficiência – Uma Causa Comum é o tema da palestra promovida pelo Centro de Medicina de Reabilitação da Região Centro - Rovisco Pais, em parceria com o Município de Cantanhede, para assinar o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, em 4 de Dezembro.
A iniciativa tem como objectivos relembrar os direitos das pessoas com deficiência consignados na lei e sensibilizar a população para esta problemática, nomeadamente para as dificuldades que os cidadãos afectados por limitações de ordem física e as suas famílias enfrentam.
O Centro de Medicina de Reabilitação da Região Centro – Rovisco Pais é uma unidade especializada de nível central, com internamento, ambulatório e hospital de dia, destinado à prestação de cuidados diferenciados de Medicina Física e Reabilitação em todas as suas áreas de intervenção, nomeadamente nas situações que, pela sua natureza e/ou complexidade (e apresentando potencial de reabilitação) necessitam de tempos prolongados de tratamento e maior investimento técnico-profissional. Com uma actividade pautada por critérios de excelência, integra as áreas médica assistencial, preventiva, diagnóstica e terapêutica, bio-engenharia, investigação e ensino.

PROGRAMA
- PERSPECTIVA HISTÓRICA DA EVOLUÇÃO DO CONCEITO DE DEFICIÊNCIAEnfermeira Cristina Santos, Licenciada em Enfermagem, a exercer funções na Unidade de Lesões Vertebro Medulares do CMRRC – Rovisco Pais
- PROCESSO DE ADAPTAÇÃO À DEFICIÊNCIADr.ª Ana Garret, Psicóloga, Doutoranda em Psicologia Clínica, Bolseira de Investigação Científica Pela Fundação Para a Ciência e a Tecnologia Faculdade de Ciências Humanas e Sociais – Universidade Fernando Pessoa
- ABORDAGEM CLÍNICA À PESSOA COM DEFICIÊNCIADr.ª Paula Amorim, Licenciada em Medicina, com especialização em Medicina Física e Reabilitação, a exercer funções no CMRRC – Rovisco Pais
- SUPORTE SOCIAL DA PESSOA COM DEFICIÊNCIADr.ª Marília Campos, Licenciada em Serviço Social, a exercer funções no CMRRC – Rovisco Pais
- TESTEMUNHOEng.º Nelson Oliveira, Engenheiro Mecânico, lesionado medular – paraplégico e Utente do CMRRC – Rovisco Pais
O número de pessoas com deficiência é elevado e continua a aumentar a nível mundial. As causas e as consequências desta situação diferem de acordo com as regiões, em função da sua situação socioeconómica e das medidas tomadas pelos Estados na promoção da segurança e bem-estar dos cidadãos.
As políticas actuais a favor do indivíduo com deficiência representam o resultado de avanços e conquistas relativamente recentes. A muitos títulos, elas reflectem as condições gerais de vida e as políticas sociais e económicas de diversas épocas. A ignorância, o abandono, a superstição e o medo, contam-se entre os factores sociais que, ao longo da história da deficiência, isolaram estas pessoas e limitaram as suas possibilidades de desenvolverem aptidões em vários domínios.
As políticas relativas à deficiência evoluíram da prestação de cuidados elementares em meio institucional até à existência de políticas educativas para crianças com deficiência e de reabilitação para as pessoas que se tornaram deficientes na idade adulta, que por sua vez têm vindo a tomar parte mais activa no desenvolvimento de legislação e de normas em seu favor.
Já depois da Segunda Guerra Mundial, surgiram os conceitos de integração e de normalização que reflectem a crescente tomada de consciência sobre as capacidades das pessoas com deficiência, conceitos que várias organizações têm contribuído para generalizar e consolidar, no âmbito de uma luta que tem revertido no crescente reconhecimento dos seus direitos.
Fonte: GIRP




Oposição em Cantanhede


Fonte:BOA NOVA

É só uma congeminação. Mas não fazia sentido, a ser verdade que este orçamento foi feito a pensar nas eleições, que o Partido Socialista votasse contra??? Tinha que votar contra!
É natural o orçamento ser feito a pensar nas autárquicas, até porque Cantanhede estagnou nestes últimos quatro anos. Só é pena que isto não tenha sido demonstrado durante tanto tempo.. é que quem cala consente, anda distraído ou não sabe. Mas parece que é mais fácil combater dentro do partido o "inimigo" do que esgrimir argumentos com o verdadeiro adversário político que é o PSD.

Humor


domingo, 23 de novembro de 2008

O exemplo de Beiriz


Beiriz tem 4,31 km quadrados e 3223 habitantes. Está longe de ser um centro de excelência, um pólo de desenvolvimento ou um grande exemplo de modernidade. É antes uma pequena e perdida freguesia da Póvoa do Varzim. Mas Beiriz, tem também uma das poucas escolas do País onde, entre manifestações de 120 mil professores, ameaças de boicote e avisos de greve nacionais, se faz calmamente, e dentro dos prazos, a avaliação dos professores, prevista pelo Ministério da Educação, mas sem as actuais modificações referidas após o último Conselho de Ministros Extraordinário desta semana.
Em Beiriz, a avaliação não obriga a uma burocracia infindável, a reuniões pela noite dentro, a um esforço sobre-humano.
Em Beiriz, a avaliação não afecta a qualidade das aulas, o rendimento dos alunos ou a boa vontade dos professores.
Em Beiriz, a escola fecha SEMPRE às 18, 30 horas e, segundo a responsável máxima desta escola - a Directora, ninguém fica depois da hora.
Será a EB 2-3 de Beiriz um milagre? Nem por isso. Simplesmente, funciona.
Em Beiriz, em vez de perderem tempo em passeatas reivindicativas e boicotes organizados pelos sindicatos, trabalha-se.
Nesta escola, quando receberam as regras de avaliação estabelecidas pelo Ministério da Educação, a directora tratou de olhar seriamente para os papéis, ver onde podia cortar a burocracia e tornar como conseguiu, um processo demasiado complexo num esquema muito mais eficaz.
Porque será que o que é impraticável em todo o País seja possível em Beiriz?
Beiriz não é a prova de que a avaliação dos professores proposta pelo ministério é perfeita. Não é. É burocrática, pesada e, em alguns aspectos, errada. Mas é. Existe e é bem melhor existir com defeitos do que não ter qualquer avaliação.
Em Beiriz, os professores trabalham com gosto, os alunos interessam-se e os resultados são bons.
Em Beiriz, faz-se.
E na verdade, isso torna-se cada vez mais raro em Portugal. Porquê?...

Esperar sentado



Em entrevista ao jornal “Correio da Manhã”, Américo Henriques, o professor que durante 30 anos denunciou Carlos Silvino, está de saída da Casa Pia. O mestre continua a acreditar nas vítimas de abusos sexuais e, por isso, espera que o ex-motorista não seja o único a ser condenado.
Nós também gostaríamos de ver feita justiça, mas com estamos a lidar com poderosos, com um lobby poderoso, vamos esperar sentados.

Estágio Internacional de Karate Shotokan


quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Portugal no topo da desigualdade na distribuição do rendimento


Os números são da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e contrariam o discurso político optimista que caracteriza o actual Governo: Portugal apresenta o terceiro maior índice de desigualdade na distribuição do rendimento entre os 30 países desta organização, a par com os Estados Unidos e apenas atrás do México e da Turquia.
Mas não é apenas em Portugal que a desigualdade cresce. No relatório Crescimento e Desigualdades, a OCDE afirma que o fosso entre ricos e pobres aumentou em todos os países membros nos últimos 20 anos, à excepção da França, Grécia e Espanha, e que nos últimos cinco anos se assistiu ao crescimento da pobreza e da desigualdade em dois terços dos países analisados. Canadá, Alemanha, Noruega e Estados Unidos são os mais afectados. O restante conjunto de países viu as diferenças entre ricos e pobres diminuírem, em particular a Grécia, o México e o Reino Unido, o que, de acordo com os autores do estudo, «prova que não há nada de inevitável nestas mudanças».
Portugal é o país da União Europeia onde há mais desigualdade entre ricos e pobres. Portugal é de longe o país da União Europeia onde os ricos são os mais ricos e os mais pobres são os mais pobres. As 100 maiores fortunas portuguesas representam 25% do Produto Interno Bruto e 20% mais ricos controlam 45,9% do rendimento nacional. Estes dados mostram que Portugal necessita de uma política redistributiva e de encarar de frente o problema da desigualdade. Que política distributiva? Todo o discurso político, da comunicação social e da sociedade civil é em relação ao crescimento económico e à redução do défice público. Desta forma só se abrange 80% dos mais ricos, esquecendo os 20% dos mais pobres. As estatísticas indicam que um em cada cinco portugueses vive no limiar da pobreza. Mas a realidade da pobreza é pior. Porque pobreza não é meramente falta de dinheiro, é também falta de acesso às necessidades que conferem dignidade na vida portuguesa.
É preciso que as actualizações não sejam uniformemente percentuais, mas que aumentam mais para aqueles que ganham pouco e não tanto aqueles que ganham muito. Já era previsível, nós temos em Portugal, poucos que ganham muito e muitos que ganham muito pouco ou nada. É importante corrigir isto, porque não é justo nem moral.
São também necessárias e urgentes de apoio às zonas mais deprimidas do país e uma aposta clara na educação, que não apenas na escolaridade.
É igualmente necessário promover o empreendedorismo e uma intervenção clara no ambiente e nas condições em que muitos dos nossos concidadãos vivem, para alterar a situação de desigualdade no país.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Viaturas dos bombeiros penhoradas e prestes a serem apreendidas


Os Bombeiros Voluntários de Cantanhede estão em autêntica ebulição. Habituados a apagar fogos e a socorrer vítimas, a corporação parece não encontrar antídoto para “apagar” o mau estar que se vive no seu seio. Os problemas são mais que muitos, e para agravar a situação, um antigo bombeiro dispensado pela anterior direcção - por sinal o único no activo distinguido com o “Crachá de Ouro”, originou a penhora de duas viaturas da corporação após ter ganho no Tribunal de Trabalho uma acção que interpôs contra o seu “despedimento”. Tribunal que condenou a associação dos bombeiros a pagar uma indemnização de quase oito mil euros ao referido bombeiro, e que esta não acatou. Daí a acção de penhora das viaturas (o carro de comando e uma pick-up equipada com diversas valências operacionais oferecida há dois anos pelo Intermarché).
E se a direcção dos bombeiros não acatou a sentença do tribunal no pagamento da indemnização «nem fez qualquer depósito de caução após recurso interposto», ignorou a respectiva penhora e terá autorizado que os carros penhorados continuassem a ser utilizados, o que configura «um crime de desobediência». Acção que originou uma notificação da solicitadora encarregue do processo à GNR de Cantanhede «para que as viaturas sejam apreendidas».
Estes factos foram ontem confirmados ao Diário de Coimbra pelo advogado do bombeiro em litígio com a direcção da associação humanitária, Miguel Saraiva, que garantiu que a penhora «está feita e registada» há cerca de dois meses. O recurso da associação à sentença do Tribunal de Trabalho não «suspendeu a decisão da sua execução», e Miguel Saraiva, sabe o nosso Jornal, avançou com a penhora das duas viaturas. Agora, face à ineficácia da penhora (os veículos têm continuado no terreno), Miguel Saraiva garante ao nosso Jornal que a solicitadora já notificou a GNR de Cantanhede para que as mesmas «sejam de imediato apreendidas», o que na opinião deste causídico, pode acontecer nos próximos dias.

“Estamos a aguardar”
O presidente da associação humanitária também confirma a penhora, mas adianta que os seus serviços jurídicos recorreram da sentença do Tribunal de Trabalho que dá razão ao bombeiro dispensado. «Baseámos o nosso recurso no facto de sermos uma instituição de utilidade pública e as viaturas penhoradas serem instrumentos de serviço público, e agora estamos a aguardar», explicou Idalécio Oliveira.
Recurso que, segundo apuramos, deveria ser acompanhado por um depósito de caução no valor da indemnização a pagar ao bombeiro dispensado, mas que os advogados da associação, frisou Idalécio Oliveira, «entenderam que não se devia fazer».
«Esta é uma situação que cria um certo mau estar, não é desejável, mas existe e não podemos virar as costas», refere este dirigente, visivelmente constrangido por ver o nome dos bombeiros e da associação «de certa forma manchado».
Mau estar que, por mais que se tente disfarçar, também se instala no seio da corporação. Já não bastava a demissão do antigo comandante Francisco Lourenço, é voz corrente que o novo comandante indigitado (major Mário Vieira, actualmente a tirar um curso de comando), «logo que tome posse vai reformular o comando e dispensar o comandante interino (João Cunha) e o ajudante de comando (Jorge Jesus)».
Estas “vozes” talvez tenham a ver com a ausência destes dois operacionais no almoço de aniversário, realizado domingo passado (ler caixilho), mas tanto um como outro desvalorizam o comentário.
Um operacional que não quer ser identificado diz ao nosso Jornal que desde a demissão de Francisco Lourenço, «que cavou a sua própria sepultura» e que «se não se demitisse era demitido» se vive na corporação «uma grande desestabilização» e que constantemente «se estão a engolir sapos vivos». Por isso, diz este operacional, o novo comandante, quando tomar posse, «vai fazer uma limpeza» e os “sacrificados”, refere, são as cúpulas do comando interino (leia-se João Cunha e Jorge Jesus).

FONTE

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Um excelente (e actual) artigo de Fernando Pessoa



A INUTILIDADE DOS CONSELHOS FISCAIS E DOS COMISSÁRIOS DO GOVERNO NOS BANCOS E NAS SOCIEDADES ANÓNIMAS

Escândalos ainda recentes, que se tornaram conhecidos do público através dos relatórios publicados no Diário do Governo, vieram pôr mais uma vez em evidência a inutilidade prática dos Conselhos Fiscais e dos Comissários do Governo — inutilidade reconhecida no estrangeiro pela substituição a essas entidades, realmente fictícias, de outras mais susceptíveis de se desempenhar do mister que a nossa legislação impõe àquelas. Os Conselhos Fiscais e os Comissários do Governo — aqueles mais do que estes — são pontos de apoio da confiança do accionista, que julga que neles encontra o controle da aplicação e a salvaguarda dos capitais que confiou ao Banco ou à Sociedade Anónima adentro, ou junto, da qual eles funcionam.

Reconhecendo as Sociedades Anónimas que a melhor forma de chamar o capital é a distribuição ruidosa de grandes dividendos, procuram frequentemente, por meio de lançamentos artificiais, encobrir um estado verdadeiro de pouco desafogo; publicam, para dar uma aparência de prosperidade, relatórios de prosa literária no fim dos quais os accionistas são definitivamente ludibriados pela confiança que lhe traz o inevitável “parecer” do Conselho Fiscal, com o costumado voto de louvor à Direcção, e a indicação aos accionistas que aprovem o Relatório de contas e a distribuição de dividendos que ele consigna.

Os accionistas aprovam tudo — uma vezes porque o dividendo é magnífico, outras porque simplesmente confiam na indicação que lhes é dada. E a Direcção e o Conselho Fiscal recebem os respectivos louvores. São homens hábeis, uns; são homens sérios, outros. Tudo está, pois, necessariamente certo.

Acontece, porém, que muitas vezes está errado. E é isso que os relatórios recentemente publicados põem em evidência.

Quando se cai na suspensão de pagamentos, os accionistas acordam. Mas, como esperavam que o Conselho Fiscal os acordasse, e o Conselho Fiscal dorme por natureza, acordam sempre tarde e perdem... não o comboio, mas o dinheiro. Há Sociedades Anónimas em que não acontece isto. Mas há porventura alguma Sociedade Anónima em que, tanto quanto o sabe o accionista, não possa acontecer isto? Que elementos tem o accionista para poder saber ao certo que isso lhe não pode acontecer? A prosperidade do Banco ou da Companhia? Mas a prosperidade é a que lhe é dada pelos dividendos, e que sabe ele se esses dividendos não são o seu próprio capital e o dos credores da Sociedade Anónima, em vez do lucro autêntico da prosperidade verdadeira de uma sociedade progressiva? Sabe o accionista ao certo se não é assim? Não sabe, porque aqueles elementos em quem delega a fiscalização, 1.º não fiscalizam, 2.º mesmo que fiscalizem, não sabem fiscalizar. Quantos são os membros dos Conselhos Fiscais que examinam a valer as contas da Sociedade Anónima? Quantos são os membros dos Conselhos Fiscais que têm as habilitações precisas, de contabilistas, para esse exame? Salvo casos excepcionais, os membros dos Conselhos Fiscais são escolhidos por serem homens sérios e de boa posição social. Não consta, porém, que a seriedade seja a contabilidade, nem que a boa posição social seja um curso intuitivo de guarda-livros.

Escolhem-se homens sérios para os Conselhos Fiscais. Mas os homens sérios podem ser estúpidos — há muitos —; os homens sérios podem ser confiados — há muitíssimos —; os homens sérios podem ser desleixados — há imensos —; e o accionista perde o seu dinheiro, sem que os homens muito sérios deixem de ser muito sérios, o que é uma consolação insuficiente para quem perdeu o dinheiro que fiou da fiscalização incompetente, se não inexistente, dos homens de muita seriedade.

Tudo isto, no fundo, é uma comédia sem graça. A Direcção de uma Sociedade Anónima é, por natureza, um conselho técnico de gerência; o Conselho Fiscal de uma Sociedade Anónima é, e por natureza, um conselho técnico de fiscalização. A Direcção produz resultados; o Conselho Fiscal verifica esses resultados. E como os resultados se traduzem por números, isto é, por contas, parece que o Conselho Fiscal deve ser constituído por gente especializada no exame e conferência de contas. E parece também que o Conselho Fiscal deve ser constituído por gente suficientemente independente da Gerência para poder fiscalizar essas contas com independência. O que se faz entre nós? Elege-se um Conselho Fiscal de pessoas de probidade e incompetência e, é claro, de pessoas em magníficas relações de amizade com a Gerência, e portanto com toda a confiança nela. Em resumo: o melhor fiscal dos actos de alguém é um amigo incompetente. É ou não uma comédia?

Dos Comissários do Governo nem é bom falar. Dos membros do Conselho Fiscal ainda se pode presumir, visto que são accionistas, um certo interesse pela Sociedade Anónima a que pertencem, se bem que o interesse não crie competência, nem pese mais, na maioria dos casos, que o desleixo natural de quem é incompetente e confiado. Mas dos Comissários do Governo nem essa presumível interesse se pode presumir. São funcionários do Estado, que é, como toda a gente sabe, o mais mal servido de todos os patrões. São nomeados por obscuros lances do xadrez partidário, em prémio de serviços políticos e para que veraneiem todo o ano no seu comissariado; são nomeados para não fazer nada, e é efectivamente o que fazem. Deles, pois, é o Reino dos Céus... Deixemo-los e volvamos à terra.

Independência e competência são duas qualidades que se exigem em quem fiscaliza. O ter interesse em fiscalizar é secundário: o doente não percebe mais da doença que o médico, embora seja quem tem mais interesse na cura. Ora, se dependência e competência são as qualidades a exigir ao fiscal, está naturalmente indicado que a fiscalização das Sociedades Anónimas sejam examinadas, e por fim aprovadas, por peritos contabilistas estranhos às Sociedades, e com responsabilidade penal directa. Esses peritos (auditors) têm poderes para examinar toda a escrita, para verificar todas as transacções, para fazer à Direcção todas as perguntas que entenderem dever fazer para cabal desempenho do seu mister.

E assim é que deve ser. De todas as formas das sociedades comerciais as Sociedades Anónimas são as que mais se prestam ao abuso e ao desleixo da Gerência, pois que nelas há uma intervenção já teoricamente periódica, mas, em geral, praticamente nula dos sócios (isto é, dos accionistas) na gerência. Há mister, pois, que deleguem em alguém a fiscalização que nem podem, nem em geral sabem, exercer. Delegá-la em Conselhos Fiscais equivale a delegá-la em ninguém, ou a delegá-la na própria gerência a fiscalizar. Não, não há outra solução senão os auditors, os peritos contabilistas — competentes porque são técnicos, independentes porque não pertencem à Sociedade, e responsáveis criminalmente por abuso, ou mesmo desleixo, no exercício do seu cargo.

25-1-1926

Páginas de Pensamento Político. Vol II. Fernando Pessoa. (Introdução, organização e notas de António Quadros.) Mem Martins: Europa-América, 1986. p. 127.

Artigo escrito em colaboração com Francisco Caetano Dias.1ª Publ. in
Revista de Comércio e Contabilidade, nº 4. Lisboa: 25-1-1926

domingo, 16 de novembro de 2008

O PS que se cuide...


É esta a mensagem que corre nos emails dos professores e que se reenvia reenvia... será que o PS, nas pessoas do Sr Primeiro Ministro e na Sra Ministra da Educação, ainda não percebeu que deve dialogar, experimentar o modelo, analisar os resultados e só depois implementar???? Será isto difícil???? Ou haverá outra intencionalidade em todo este processo??? E isto não é chantagem de ninguém, mas "quem não se sente, não é filho de boa gente", diz o povo. E os professores são gente que trabalha, tem família, despesas como todo o cidadão deste País. Lembro que se está a cair no erro de basear os protestos na questão burocrática. A ministra dará a volta num instante a essa questão. Não é esse o verdadeiro problema. O problema é a carreira docente com a divisão em professor e professor titular, assim como as cotas para a progressão. Vou dar o meu exemplo. Como o meu departamento tem a cota fechada,(administrativamente foram preenchidas as cotas no primeiro concurso) eu, ou espero pacientemente que um colega morra e depois tenho de concorrer para essa vaga (eu e mais cinco ou seis... colegas) e esperar pela sorte... ou tenho de esperar que algum colega se reforme daqui a pelo menos 15 anos (tempo aproximado do professor que está mais próximo da reforma) para eu poder concorrer à vaga criada (eu e mais cinco, seis, sete ou mais) e esperar mais uma vez, (depois de avaliado, com aulas assistidas, com entrevistas, fichas, relatórios, portefolios, etc... e até um excelente desempenho ) ser o eleito. Os outros seis, sete ou mais, ficam não se sabe quanto tempo à espera que o processo se repita, esperando, esperando... mesmo que tenham também excelente. Mesmo que tenham um mestrado, doutoramento ou mais formação que o avaliador... dá que pensar, não dá??????

É portugal sim senhor e Cantanhede


Vejam se não se trata de criatividade a forma como se disfarça o poste de electricidade... bem bonito! Isto é em Cantanhede. Como diria o Fernando Pessa: "e esta, hem?"




Professores para quê?


Um bom começo para os que falam e não sabem do que falam...

sábado, 15 de novembro de 2008

Professores e sindicatos

«(...) A afirmação de um movimento corporativo independente de professores revoluciona o habitual negócio dos sindicatos com o Governo. É um movimento corporativo, mais do que sindical, porque incide na dignificação da função, no seu exercício, no modelo de ensino e na organização. Ao contrário, por objecto e tradição, os sindicatos, concentram-se nos vínculos, nas promoções, nas horas de trabalho e nos salários. No contexto de destruição socialista do ensino - experimentalismo pedagógico e didáctico, desavaliação dos alunos, burocratização, domesticação e... difamação (!) da função - o tema das condições salariais e da carreira tornou-se menor. Para a questão magna do ensino e da função, os sindicatos não têm vocação, competência ou, sequer, interesse - provavelmente, os dirigentes comunistas da Fenprof concordam com a maioria das decisões pedagógicas e didácticas, nomeadamente a desvalorização do ensino face à escola (a "inclusão") e desavaliação dos alunos, que a massa dos professores contestam...(...)» - Ler artigo completo no blog Do Portugal Profundo.

Fernando Pessoa


POEMA EM LINHA RETA(Álvaro de Campos)


Nunca conheci quem tivesse levado porrada.

Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,

Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,

Indesculpavelmente sujo.

Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,

Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,

Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,

Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,

Que tenho sofrido enxovalhos e calado,

Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;

Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,

Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,

Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado [sem pagar,

Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado

Para fora da possibilidade do soco;

Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,

Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo

Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,

Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana

Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;

Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!

Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.

Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?

Ó principes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!

Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,

Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!

E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,

Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?

Eu, que venho sido vil, literalmente vil,

Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

Centro de Bioética reitera oposição à eutanásia

O Centro de Estudos de Bioética (CEB), em Coimbra, reiterou ontem a sua oposição à eutanásia, defendendo a necessidade de uma «rápida e total implementação» da rede de cuidados paliativos.
Num parecer a que agência Lusa teve acesso, a direcção do CEB preconiza uma «rápida e total implementação da rede de cuidados paliativos, certa de que a resposta a um (raro) pedido de eutanásia é a compassiva e total prestação de cuidados, de modo a que o doente terminal viva em paz a sua vida até morrer».
«Esta é, na verdade, a morte medicamente assistida a que todos temos direito», sublinham Jorge Biscaia, Daniel Serrão, António de Almeida e Costa, Michel Renaud e Vasco Pinto de Magalhães.
A posição conjunta sobre a eutanásia vai ser apresentada hoje em Coimbra num encontro comemorativo dos 20 anos do CEB e dos 80 anos de Jorge Biscaia que, a par com Daniel Serrão e outras personalidades, foi agraciado recentemente pelo Presidente da República com a Grã-Cruz da Ordem de Santiago de Espada, pelos seus trabalhos pioneiros na área da bioética em Portugal.
Intitulado “Eutanásia, uma questão persistente”, o parecer sublinha que «a vida humana é inviolável» e vinca que é «um dever inalienável do Estado e da sociedade tudo fazer para minorar a solidão e o sofrimento físico dos que precisam de acompanhamento humano de “consultas de dor” e de cuidados paliativos nas situações de doença grave ou de incapacidade prolongadas».
«O papel dos profissionais de saúde é o de proporcionar aos doentes toda a atenção necessária para poder dar-lhes uma vida com qualidade», preconizam.
Segundo o documento, «a morte provocada a uma pessoa, a seu pedido, tem sido apresentada, por alguns, como expressão de compaixão por quem sofre e como sinal de respeito pela autonomia do doente terminal».
«Ao contrário desta ideia que tentam banalizar, pertencemos ao grupo claramente maioritário para quem é inaceitável matar um doente seja qual for a explicação que se pretenda dar para essa morte provocada», sublinham os especialistas em bioética.
Na sua óptica, «o mais importante é fornecer-lhe todos os cuidados, de modo a tratar a dor e outros sintomas, de forma a proporcionar-lhes uma vida com qualidade, até ao fim natural».
«Para tal, urge implementar o direito de acesso a bons cuidados paliativos, como de resto existem já em Portugal, infelizmente em número claramente não suficiente para quem deles necessita», vincam.
A proibição da eutanásia na lei «justifica-se pela protecção de um bem fundamental, que é o da vida do doente», sustenta o Centro de Estudos de Bioética.
«Defende ainda o paciente de possíveis abusos de uma hipotética autorização para matar a pedido, mesmo quando ela não existe como tem sucedido na Holanda (eutanásia involuntária de doentes adultos e mesmo de menores), adianta.
Para a direcção do CEB, «essa protecção é exigida pela ética médica, que seria gravemente comprometida se o papel dos médicos e dos enfermeiros que com eles colaboram, como garantes da defesa da vida, se transformasse no de prestadores oficiais da morte».
«Entre as questões éticas respeitantes à vida humana, a eutanásia permanece sempre actual (…) Entre nós, num destes surtos cíclicos de abordagem da questão, o problema tem sido ultimamente de novo agitado, não faltando sequer propostas fracturantes», lê-se ainda no documento.

FONTE

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Estamos perdidos há muito tempo - Eça de Queirós


"Estamos perdidos há muito tempo...O país perdeu a inteligência e a consciência moral.Os costumes estão dissolvidos, as consciências em debandada.Os caracteres corrompidos.A prática da vida tem por única direcção a conveniência.Não há princípio que não seja desmentido.Não há instituição que não seja escarnecida.Ninguém se respeita.
Não há nenhuma solidariedade entre os cidadãos.Ninguém crê na honestidade dos homens públicos.Alguns agiotas felizes exploram.A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia.O povo está na miséria.Os serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente.O Estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo.A certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências.Diz-se por toda a parte, o país está perdido!Algum opositor do actual governo? Não! "


Sem mais palavras

"Quando alguém compreende que é contrário à sua dignidade de homem obedecer a leis injustas, nenhuma tirania pode escravizá-lo." (Mahatma Ghandi)

1000

E com isto já vamos em 1000 apontamentos, ou postais ou como se lhes quiser chamar. O tema, a propósito, será o do ensino, pelo que cedo agora a palavra a quem sabe mais que eu:
"Ensinar com seriedade é lidar no que existe de mais vital num ser humano. É procurar acesso ao âmago da integridade de uma criança ou de um adulto. Um Mestre invade e pode devastar de modo a purificar e a reconstruir. O mau ensino, a rotina pedagógica, esse tipo de instrução que, conscientemente ou não, é cínico nos seus objectivos puramente utilitários, é ruinosa. Arranca a esperança pela raiz. O mau ensino é, quase literalmente, criminoso e, metaforicamente, um pecado. Diminui o aluno, reduz a uma inanidade cinzenta a matéria apresentada. Derrama sobre a sensibilidade da criança ou do adulto o mais corrosivo dos ácidos, o tédio, o metano do ennui. Para milhões de pessoas, a matemática, a poesia, o pensamento lógico foram destruídos por um ensino inane, pela mediocridade, talvez subconscientemente vingativa, de pedagogos frustrados. As vinhetas de Molière são implacáveis.
Em termos estatísticos, o anti-ensino constitui praticamente a norma. Os bons professores - os que alimentam a chama nascente na alma do aluno - são talvez mais raros do que os músicos virtuosos ou os sábios. Entre os professores do ensino elementar, instrutores da mente e do corpo, são alarmantemente escassos os que têm plena consciência daquilo que está em jogo, do equilíbrio entre confiança e vulnerabilidade, da fusão orgânica entre responsabilidade e sensibilidade. Ovídio lembra-nos: 'Não há maior maravilha.' De facto, como bem sabemos, a maioria daqueles a quem entregamos os filhos nas escolas secundárias, a quem pedimos orientação e exemplo na academia, pouco mais são que amigáveis coveiros. Trabalham para reduzir os alunos ao seu próprio nível de fatigada indiferença. Não 'revelam' Delfos - obscurecem-no." -George Steiner, As Lições dos Mestres, Gradiva, 2005.

Não tem, necessariamente, razão em tudo. Steiner é um professor universitário, nunca terá lidado com jovens de subúrbios e novas oportunidades. Agora, é um facto que a maior parte dos professores carrega essa indiferença de que fala. Mas, por que razão seria diferente? Se a maior parte dos cidadãos carrega a indiferença, se os professores são cidadãos, logo...
É óbvio. Mas o mal mantém-se há muito. Na faculdade tive colegas que não sabiam o que era um livro bilingue. Tive colegas que achavam que "bilingue" era uma obra de Garcia Lorca que eu tinha na mão. Essa boa gente é hoje professora - a não ser que tenham mudado de ramo (e espero sinceramente que sim). Qual a solução para o problema? talvez engenharia genética ou o projecto de reconstrução do homem e da mulher novos - mas já vimos que não funcionam. Consequentemente, não há solução. Haverá sempre indiferença. Haverá sempre aqueles que autorizam os alunos a saírem das aulas para participarem em manifestações "espontâneas" - aliás, é sabido que toda a gente costuma trazer ovos no casaco, não vá dar-se o caso de ser necessária uma demonstração de "espontaneidade".
A solução também não passa pela glorificação e endeusamento de um ensino privado ao qual todos possam ter acesso, milagre sustentado por uma direitazinha incipiente de cariz pretensamente liberal, que leu uns livros em inglês e quer modernizar o país - até porque em muitos casos estudou lá fora. A essa gente talvez faça bem ler o mais recente livro de Steiner, no qual denuncia o fracasso dos sistemas de ensino anglo-saxónicos. Os europeus já os conhecemos.
O problema está na raiz, obviamente. Está nessa maravilha mundial chamada democracia, democratização, que abriu as portas da Academia a todos os que quisessem lá entrar. Mas nem todos deviam pôr lá os pés. Quem não era matemático não passava dos portões. Hoje, já não há portões, a não ser para fechar a cadeado quando alguns - nunca manipulados - decidem de forma absolutamente democrática (porque o governo manipula alunos quando lhes oferece Magalhães, mas o esquerdalho nunca o faz, nem quando põe os seus maltrapilhos das juventudes a fechar portões e a lançar ovos. Ou, simplesmente, a berrar insultos demonstrando um boçalidade inata, embora reforçada por certos exemplos que vêm de cima.)
A democratização do ensino ofereceu a possibilidade de todos estudarem ou fingirem que estudam. Ao mesmo tempo que abriu as portas a milhões de alunos obrigou ao recrutamento de milhares de professores, muitos deles com vocação zero. Há uma percentagem deles que é, de facto, muito boa. Talvez não seja necessariamente reconhecida como tal - a filiação partidária é uma coisa muito importante e os laços de família idem, apesar das mudanças sociais e fracturantes.
Quanto ao resto, por que razão hão-de todos aspirar ao (suposto) superior? A terra ainda é quem nos alimenta. E, um dia, acabaremos por voltar a ela.

FONTE

Educação: Inspectores também querem fim da avaliação

O presidente do Sindicato dos Inspectores da Educação e do Ensino (SIEE), José Calçada, defendeu esta quinta-feira a suspensão do processo de avaliação de desempenho dos professores, alegando que o modelo definido pelo Governo «não é exequível», noticia a Lusa.
«Não tenho a menor dúvida de que o processo deve ser suspenso. Não estou sequer a emitir juízos de valor sobre a qualidade ou falta de qualidade do modelo [definido pelo Ministério da Educação], mas apenas a dizer que ele não é exequível. No que respeita aos inspectores, é absolutamente inexequível», afirmou o responsável, em declarações à agência Lusa.
O problema, adiantou José Calçada, é que o modelo definido pelo Ministério da Educação (ME) prevê que os cerca de oito mil professores titulares com funções de coordenador de departamento ou do conselho de docentes sejam avaliados por inspectores com formação científica na mesma área, mas estes não existem em número suficiente.
Em Outubro do ano passado, o SIEE tinha já defendido uma suspensão do processo de avaliação de desempenho, garantindo que o mesmo só poderia avançar caso a Inspecção-Geral de Educação contasse com, pelo menos, o triplo dos funcionários.

Testemunho


Exma. Senhora

Directora Regional de Educação de Lisboa e Vale do Tejo

Maria Leonor Teixeira da Costa Lopes Varela, Professora Titular do Quadro de Escola da Escola Secundária de Maria Amália Vaz de Carvalho, em Lisboa, grupo 330, nomeada avaliadora, por delegação de competências, perante os esclarecimentos ontem dados pela Senhora Ministra da Educação, ao Canal “SIC Notícias”, sobre a avaliação de Professores, vem solicitar informações sobre os seguintes pontos:

Enquanto avaliadora

A requerente tem sete avaliandos, distribuídos por dois grupos de docência. Já todos entregaram os respectivos objectivos individuais. Se os Professores têm apenas que entregar “duas folhinhas com os objectivos”, como qualquer funcionário de uma qualquer empresa, pretende a requerente saber se deverá suspender todas as actividades subsequentes, nomeadamente:LER MAIS AQUI

Manuel Alegre e a ministra

Manifestação de Professores

Dissidencias - obrigatório ler (de um amigo)

Ok, já me decidi! Ao escrever “chupar” fez-se um clique no meu estupidificado cérebro e decidi que hoje, como é dia 13 de Novembro, vou-vos falar dos milagres de Maria. Maria tem sido protagonista de alguns dos mais inacreditáveis milagres, como não se via desde há muito tempo, talvez mesmo desde o milagre das rosas da Rainha Santa Isabel. Ainda na última 3ª-feira, em Fafe, assistimos ao milagre da multiplicação dos ovos. E que dizer do fantástico aumento das notas a matemática nos exames nacionais do 9º e 12ºano, quando não existe nenhuma explicação racional para o sucedido? Só pode ser milagre! Maria conseguiu ainda o milagre de unir os professores de todo o país, que religiosamente participam em bonitas peregrinações à baixa de Lisboa, duas vezes por ano, sempre no dia 8, e só aos sábados, numa profunda e comovente manifestação de fé e esperança… de que Maria de Lurdes Rodrigues desapareça de vez do Ministério da Educação! E como qualquer peregrinação que se preze, promessas também não faltam: os sindicatos prometem novos protestos e novas greves; os professores prometem guerra todo o ano, prometem o caos; os alunos prometem manifestações e ovos frescos; a ministra promete que não desistirá da avaliação dos professores; Sócrates promete colinho à ministra… Como é bonita a fé vivida no seio da grande família educativa.
Fonte: Dissidencias

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Centro de Formação de Associação de Escolas Beira Mar iniciou actividade

O Centro de Formação de Associação de Escolas Beira Mar já iniciou formalmente a sua actividade com a tomada de posse da Directora – Evangelina Mendes –, na presença dos membros da Comissão Pedagógica. Esta Comissão é constituída pelos Presidentes dos Conselhos Pedagógicos das escolas associadas representando todos os estabelecimentos de ensino público dos concelhos de Cantanhede, Figueira da Foz, Mira e Montemor-o-Velho. A sessão da tomada de posse decorreu na Escola Secundária com 3º ciclo Dr. Joaquim de Carvalho/ Figueira da Foz que funcionará como escola sede do novo Centro de Formação. O CFAE Beira Mar vai abranger cerca de 1.800 professores dos concelhos de Cantanhede, Figueira da Foz, Mira e Montemor-o-Velho e terá como prioridade da sua intervenção “o reforço da formação contínua em contexto de escola, procurando responder às necessidades formativas dos professores destes concelhos numa lógica de gestão da formação em consonância com as linhas orientadoras definidas nos projectos educativos de cada agrupamento ou escola não agrupada”.

De Luto, pela Educação em Portugal


Moção sobre o Modelo de avaliação na EB 2,3 de Cantanhede

Os docentes do Agrupamento de Escolas de Cantanhede, reunidos em Assembleia Geral, a 13 de Novembro de 2008, aprovaram uma Moção sobre o modelo de avaliação do desempenho docente imposto unilateralmente pelo Ministério da Educação: Os docentes deste Agrupamento não contestam nem recusam ser avaliados. Consideram mesmo que a avaliação do seu desempenho profissional pode e deve ser encarada como uma importante componente do seu desenvolvimento profissional, contribuindo para a melhoria da qualidade da escola. Esta avaliação deve assentar na dimensão do trabalho cooperativo, perspectivado numa lógica essencialmente formativa e contínua, cruzando a responsabilidade individual de cada docente com a responsabilidade colectiva e organizacional.

Miguel Portas


A manifestação foi ainda maior do que a anterior, que
já tinha sido gigantesca.
A pergunta, inteiramente legítima, à luz das declarações da ministra nos
telejornais, é muito simples: quantos mais terão que ser para que a senhora
oiça? Ou ouça, que dos dois modos se pode dizer e escrever.

*Cheguei a casa emocionado e comovido*

Aquele mar de professores está obviamente mais do que farto. Suspeito que o
estão por todas as pequenas razões de um quotidiano frustrante, e que por
isso se podem resumir numa curta frase: ser professor assim, não dá. Quando
mais de dois terços de uma classe sai à rua, é porque, apesar do desencanto,
ainda transporta dentro de si a energia da dignidade. Não é preciso ser-se
professor, psicólogo ou ministro para o entender. Mas existe uma professora
que é ministra e que nada entende de gente, que não percebe. Continua a não
perceber.

*Em casa, a comoção transformou-se em espanto quando ouvi Maria de Lurdes
Rodrigues*

Consigo compreender que, intimamente, ela esteja convicta da justeza do
sistema de avaliação. Consigo, porque quem lida com gente tem a obrigação de
saber ouvir nas palavras do outro, o que na realidade o motiva. Mas é
precisamente aí que Maria de Lurdes Rodrigues é um caso perdido. Ela tem da
escola, da avaliação e do próprio conflito uma visão intrinsecamente
administrativa. Todo o seu discurso é orgânico, robotizado: a avaliação
começou a ser negociada no verão de 2006, foi validada por um conselho
científico, se não funciona na perfeição, a responsabilidade é das escolas -
"está nas suas mãos tornar as coisas mais simples" - e tem de continuar
porque não há outro modelo disponível. Então está tudo bem, pergunta o
jornalista. Que quase que sim e que está a ser melhorada todos os dias e que
o pode continuar a ser nos próximos, desde que se concretize.

*Há, nesta cultura administrativa de poder, uma cegueira que raia o autismo*

Para a ministra, todas as escolas estão a avaliar, não tem notícia de que
alguma a tenha suspendido. *Então e a manifestação, sempre são 120 mil, não
é?*, insiste o jornalista. Pois que sim que são, mas que há nela uma
chantagem sobre os professores que querem fazer o seu trabalho. Ouve-se e é
dificil de acreditar. Se os que estão na rua são professores, onde é que
estarão os outros? "Chantagem", quando dois terços de uma classe sai à rua?
Porque não faz sentido, é preciso procurá-lo.

*Diz-me a experiência que posso ter a melhor ideia do mundo, mas que ela me
é inútil se quem tem que a concretizar não concorda*

Com Maria de Lurdes Rodrigues é diferente. Ela tem um mundo único, exclusivo
e intransmissível. Nele, o que leva os professores a sairem à rua é "o medo
ante a mudança". Tenho inveja desse mundo, confesso. No meu, que é normal e
feito de pessoas comuns, o medo costuma fechar as pessoas em casa. No mundo
da ministra, a manifestação foi uma cabala urdida pelos partidos da
oposição. Renovo a minha inveja. Naquele em que vivo habituei-me, pelo
contrário, a uma enorme desconfiança dos movimentos genuínos face aos
partidos. Sei, por experiência própria, que é preciso uma classe estar
rigorosamente nos limites da exasperação, para pedir ajuda aos políticos que
reconheça comprometidos com a sua luta. Pois foi isso que aconteceu desta
vez. Centenas, senão milhares de professores nos pediram - "Não nos deixem
cair", "não nos abandonem", "ajudem-nos".

Não, não foram os partidos que manipularam os sentimentos dos professores;
foram estes que exigiram da política o compromisso que não encontraram no
seu ministério.

*Estive nas duas manifestações*

Porque politicamente estou solidário com esta luta, mas também porque sou
pai de dois filhos que estudam na escola pública. Quero que eles gostem das
escolas que frequentam. Quero que aprendam, que estudem e que tenham
aproveitamento. Sei que têm professores melhores e piores, como estes sabem
que têm alunos mais interessantes e interessados e outros nem tanto. É assim
a vida, feita de encantos e desgostos. Gosto dela porque é assim, imperfeita
e por isso aperfeiçoável. Do que não gosto é de uma escola que, frustrando
os professores, não se pode encontrar com os alunos, que são a sua razão de
ser. Uma escola de professores desesperados e angustiados é uma escola que
morre dentro de muros. É por isso que a ministra até podia ter a melhor
avaliação deste mundo, mas não servir. A avaliação que urge não é a dos
professores, mas a de um ministério e de uma ministra que têm sido incapazes
de perceber o mal que estão a fazer às próprias escolas. Não preciso de
muita papelada nem de conselhos científicos para concluir que o problema
mora em cima.

Miguel Portas