sexta-feira, 20 de Novembro de 2009

CONCURSO TÔMBOLA DE NATAL 2009


A AEC – Associação Empresarial de Cantanhede, com o intuito de dinamizar o Comércio Tradicional do concelho de Cantanhede está a prepara mais uma edição do CONCURSO TOMBOLA DE NATAL 2009.

O Concurso realizar-se-á de 15 de Novembro 2009 a 6 de Janeiro de 2010 , com 12 Óptimos Prémios!

Os estabelecimentos que pretendam aderir a esta acção poderão fazer a qualquer momento contactando a AEC (231429185), adquirindo senhas para o concurso, com direito a brindes para distribuir pelos seus clientes (lápis natal, sacos compras, blocos colorir, balões)

Informamos ainda que no período de 2 de Dezembro 2009 a 6 de Janeiro de 2010 se encontrará o Carrossel Infantil na Praça Marquês de Marialva

CANTANHEDE GNR apreende toneladas de ferro e cobre em acampamento cigano

Elementos do Núcleo de Investigação Criminal (NIC) do destacamento de Cantanhede da GNR, apoiados por militares do Pelotão de Intervenção Rápida (PIR) do Comando Territorial de Coimbra e de outros destacamentos, num total de cerca de 70 homens, cercaram ontem, manhã cedo, um acampamento de etnia cigana na zona de Albergaria-a-Velha. Acampamento que esta força policial suspeitava ser “o armazém” de material furtado na região de Cantanhede.
Não haverá por ai uma dessas instituições de solidariedade, dessas que dizem defender as minorias, que faça uma manifestação contra a GNR? Contra mais um encerramento de uma empresa familiar e que ao mesmo tempo angarie fundos que permitam construir armazéns onde estas famílias possam guardar a mercadoria?
Não acham que já basta de hipocrisia? Não acham que já é tempo da mão pesada da lei cair sobre esta gente que age com completa impunidade?
As vitimas é que são minorias a defender e não quem ruma ao nosso país com o único intuito de se dedicar à criminalidade.

quarta-feira, 18 de Novembro de 2009

Petição Referendo: Casamento entre pessoas do mesmo sexo

Petição Referendo: Casamento entre pessoas do mesmo sexo

Estatuto da Carreira Docente

Lisboa, 18 Nov (Lusa) - O Governo apresenta hoje aos sindicatos a proposta de calendário negocial para a revisão do estatuto da carreira e da avaliação de desempenho docentes, na véspera da discussão no Parlamento dos diplomas da oposição sobre estas matérias.
A ministra da Educação, Isabel Alçada, retomou terça-feira da semana passada o diálogo com as estruturas sindicais, reiterando a disponibilidade do Governo para rever o Estatuto da Carreira Docente e para encontrar um "novo" modelo de avaliação de desempenho, onde todos os pontos "estão em aberto".
No mesmo dia, a tutela anunciou aos sindicatos que entregaria durante esta semana uma proposta de calendário negocial, garantindo que o primeiro ciclo de avaliação, que termina em Dezembro, será cumprido dentro do quadro legal em vigor e que as classificações a atribuir terão efeitos na progressão na carreira, como está previsto.
Fonte: Expresso
Tivemos todos que passar por isto , porquê? Tivemos uma guerra com a anterior ministra, com o governo de socrates, porquê? Esta disponibilidade de repensar a avaliação e a disponibilidade para o diálogo, não existiu porquê? O que é que mudou? Estas e outras perguntas devem fazer-se, pois e educação não pode continuar a ser tratada da maneira que tem sido tratada. Este é um daqueles temas (muito sério) onde deverá existir um pacto de regime sério, que tenha em vista o sucesso do País e não a poupança de dinheiros que só se traduz numa hipoteca do desenvolvimento de Portugal. E esses que eram tão defensores daquela avaliação de professores, mas não só, deste modelo de escola, que têm a dizer agora? Expliquem agora em que modelos teóricos, científicos se basearam para maldizerem tanto a luta dos professores? Agora que o governo percebeu o erro que cometeu?
Afinal não havia convicção nenhuma, nem modelo teórico subjacente à politica do governo para a educação, as motivações eram outras (e isso devia ser explicado ao povo). Agora o governo apenas apanha o barco e tenta sair de cara lavada, (porque não tem a maioria). Mas ficará sempre a ideia que, se fosse mesmo uma convicção e não outra coisa, socrates deveria em coerência manter o seu modelo.

terça-feira, 17 de Novembro de 2009

GUERRA JUNQUEIRO

Foi escrito em 1896… mas é de uma actualidade…

Texto de Guerra Junqueiro – Pátria – 1896

“Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta. [.]
Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira a falsificação, da violência ao roubo, donde provem que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro. Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País.
A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.
Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar.”
Guerra Junqueiro, “Pátria”, 1896.

VIAGEM À RODA DA PARVÓNIA - Guerra Junqueiro e Guilherme de Azevedo

ACTO I

QUADRO I


A cena representa uma arcada do Terreiro do Paço. – Vários grupos conversam. – De quando em quando rapazes atravessam apregoando cautelas. – Vendilhões de água fresca gabam a excelência do líquido.

CENA I

UM SUJEITO

(Declamando a passear, olhando para a porta da Secretaria da Marinha.)

Oh, noites de Lisboa, oh, noites de poesia!

Auras cheias de som, noites cheias d'aromas!

GAROTO

(Passando a correr.) Amanhã anda a roda, quem quer a taluda! é do Fonseca!...

(Dois sujeitos conversando.)

1º SUJEITO

Homem, então aqui os ministérios já caem por causa dum dente?

2º SUJEITO

Se lhe parece! Na política todos os dentes são necessários menos o do siso. Os caninos, esses então são indispensáveis. Olhe, daqui a pouco os lugares de ministros hão-de ser postos a concurso, dando-se a resolver os seguintes problemas, pouco mais ou menos: 1º Levantar com os dentes, à altura de quatro palmos, a burra do tesouro...

1º SUJEITO

(Interrompendo.) Agora não havia de custar muito a levantar.

2º SUJEITO

(Continuando,) Roer cm sete anos, 70 000 contos de réis. incluindo o caroço...

1º SUJEITO

Bem sei, o caroço é a penitenciária.

2º SUJEITO

Suspender o registo civil em cima dum trapézio.

1º SUJEITO

A Leona Daré fazia isso nos Recreios, mas não era com o registo civil; era com um palhaço quase tão estropiado como ele.

2º SUJEITO

Tem razão. No fim de contas não há prova possível para a dentadura humana. Tanto pode mastigar um orçamento como uma pedreira. (Retiram-se.)

(Dois banqueiros conversando.)

1º BANQUEIRO

Então as inscrições sobem ou descem?

2º BANQUEIRO

Vão subindo à proporção que a moralidade vai descendo. (1) (Dirigem-se para o fundo.)

(Dois jornalistas em fraternal colóquio, furando a parede das secretárias com as respectivas bengalas.)

1º JORNALISTA

Leste o belo artigo do Tibúrcio atacando a nomeação dos cónegos?

2º JORNALISTA

Li.

1º JORNALISTA

E o que te parece?

2º JORNALISTA

Parece-me que o Tibúrcio pretende uma conezia no Tribunal de Contas.

(Dois bacharéis dândis, ambiciosos de conservatórias e delegacias.)

1º BACHAREL

Olé! então pela capital? O que é feito dessa bizarria? há séculos que te não vejo! Venha de lá esse abraço! Então também vens aos concursos?

2º BACHAREL

Que remédio! É preciso agenciar a vida.

1º BACHAREL

E tens bons empenhos, hem? (2º Bacharel diz-lhe ao ouvido um segredo.) Seu maganão! sim senhor! deu-lhe no vinte. Podes ter a certeza que és despachado. (2)

2º BACHAREL

(Intencionalmente com o dedo indicador.) Pai Paulino tem olho. (Separam-se tossindo.)

(Dois gatunos.)

1º GATUNO

Então já tomaste medida à fechadura?

2º GATUNO

Não foi preciso: a polícia deu-me a chave. (Fogem olhando para todos os lados.)

1º JORNALISTA

Olé! quem será aquele que chega?

2º JORNALISTA

Eu já vi aquela cara não sei aonde. (Olham todos para o lado de onde deve vir o personagem, fazendo comentários.)

CENA II

OS MESMOS, JUDEU ERRANTE, depois o CICERONE.

JUDEU

(Aparece montado num burro, traja varino grosseiro, galochas de borracha, na cabeça um carapuço de lã. com borla; vem coberto de pó dos séculos – ou, não podendo ser de pó dos séculos, de qualquer outro. A tiracolo um frasco de genebra e um binóculo. Apeia-se ficando com o burro preso pela rédea.) Tenho corrido Seca e Meca, faltava-me correr os Olivais de Santarém! Condenado pelo destino a caminhar constantemente, andarilho eterno, um verdadeiro almocreve dos tempos, depois de ter visto as pirâmides do Egipto, o Pólo Norte, Roma, Cartago, Babilónia; depois de ter assistido à queda dos impérios, ao dilúvio, à revolução de 1820, (suspende-se) perdão! (Olhando para a plateia.) Aquele senhor de óculos azuis que ali está no fundo da plateia, muito espantado a olhar para mim, quer talvez saber quem eu sou, de onde venho e para onde vou? Eu lhe digo. Quem sou? Sou o Judeu Errante Júnior. Tenho de idade 7 000 anos e três dias, (mostra um papel) aqui está a certidão. – Nascido na freguesia do Éden, filho do Judeu Errante Sénior, solteiro, isento do recrutamento, bacharel em quatro faculdades e vacinado. – Ando há sete mil anos à busca da Parvónia e só hoje a pude encontrar. Tenho-me farto de perguntar a toda a gente aonde fica este país, e diz-me um: olhe, é ali abaixo, à direita, com um ramo de louro à porta; – caminho, caminho, caminho e vou dar à ilha de Chipre! Torno a perguntar, e respondem-me: olhe, vá o senhor andando por aí abaixo, e em sentindo no nariz um cheiro pouco parlamentar, (3) pode ter a certeza de que nesse instante pousou a planta fatigada na cidade de Ulisses, outrora Ulissipo e em nossos dias Parvónia. Finalmente, cheguei, não há dúvida. (Levando o lenço ao nariz.) Fique entretanto entendido, ó Lusos, que se cheguei devo-o unicamente a este raro quadrúpede originário de Sintra, que um príncipe excêntrico daqui levou há dois anos, e que há poucos dias mandou vender em leilão. (4) Foi ele que, movido pela nostalgia da pátria, me conduziu à terra que lhe foi berço e aonde recebeu a sua primeira educação. (Prende o burro.) Descansa, dedicado companheiro, descansa que bem o precisas!

1º SUJEITO

(Perguntando ao outro.) Quem será este sujeito, quem será?

2º SUJEITO

Espera, vamos ver; o Diário de Notícias há-de dizer alguma coisa. (Puxa dum órgão da opinião, que traz muito bem dobrado na algibeira furtada, e lê:) «Espera-se hoje nesta cidade, depois duma digressão pela Europa, o Judeu Errante Júnior, cavalheiro de estimáveis qualidades, muito conhecido dos nossos leitores, abastado proprietário e capitalista, condecorado com várias ordens nacionais e estrangeiras, entre as quais a do camelo branco de Portugal e a de S. Tiago da Arábia. S. Sª viaja incógnito e tenciona demorar-se pouco tempo entre nós. Fazemos votos para que o ínclito viajor encontre no país do canoro épico Luís de Camões toda a acolhida lisonjeira a que tem jus.» (5)

1º SUJEITO

Cá está o homem que me convém. (Aproxima-se.) Meu caro senhor. (Curva-se numa profunda vénia.) Tenho a honra de o cumprimentar. Há muito tempo que o conhecia de nome.

JUDEU

Oh! meu caro amigo, penhora-me.

1º SUJEITO

Por enquanto não, sossegue. Eu quando tenho notícia da chegada dum forasteiro ilustre, acudo sempre a prestar-lhe a minha homenagem e a proporcionar-lhe ensejo de mais uma vez patentear o seu coração filantrópico em prol duma instituição de beneficência, que é a primeira de entre todas as que florescem no sagrado rochedo das pátrias liberdades, de onde há 44 anos vieram os 7 500, que, depois de tantas batalhas e de tantas privações, estão hoje reduzidos a pouco mais de 15 000!

IUDEU

Bem sei de que me falais. Falais-me dessa instituição simpática cognominada modernamente o albergue da Ilha das Galinhas?

1º SUJEITO

Acertaste, viajeiro.

JUDEU

(Descalçando as galochas de borracha c entregando-lhas.) Aqui tendes as galochas de Aasvero: galochas ilustres que deram a volta ao globo, e que tu, ó benfeitor da humanidade, poderás vender ao governo para o museu do Carmo, colocando nessas palhetas legendárias a seguinte inscrição:

Pisaram do Sinai as sarças inflamadas,
Calcaram do deserto o areal imenso,
Com umas solas só, galochas tão danadas
Quem as pode fazer? Deus ou o Manuel Lourenço.


(Assinado) Possidónio.

1º SUJEITO

(Calçando as galochas.) Graças, viajor, cá vão para o museu. (Retira-se humildemente.)

UM POETA

(Saindo apressado do portão duma secretaria.) Li o seu nome nos jornais e creio que o meu não lhe será também desconhecido. Chamo-me Artur. Sou um poeta célebre, sócio da sociedade filarmónica Os Sobrinhos de Minerva e preparo-me para fazer o meu exame de instrução primária. (Tira um rolo de papel do bolso.) É um volume de versos. Passei metade da minha vida a escrevê-lo e outra metade a procurar um editor.

JUDEU

Infeliz! (Tira dinheiro do bolso, recebendo o manuscrito.) Não tenho mais trocado, queira desculpar dar-lhe só um pataco.

POETA

(Recebendo.) Obrigado! Já vejo que sabeis dar protecção ao génio. (Aparte.) Vamos beber um copinho de Holanda.

JUDEU

Já sei que neste país o costume mais arreigado é o de pedir. O que vale é que se contentam com pouco.

POLÍTICO

(Aproximando-se.) A folha deu-me conta da sua chegada. Permita-me que o venha felicitar em nome do grupo político de que faço parte.

JUDEU

Oh! meu caro, penhora-me imenso, e visto ser penhorado todo o que vem a este país, pedia-lhe o extremo obséquio de dizer o que pretende de mim.

1º POLÍTICO

Tomo a liberdade de lhe pedir o seu voto.

JUDEU

Mas, não estou aqui recenseado!

1º POLITICO

Não tem dúvida: vota em Belém.

JUDEU

Mas sou um estrangeiro...

1º POLÍTICO

Que tem isso? Vota como morto.

JUDEU

Mas o meu voto nestas condições o que pode valer?

1º POLÍTICO

(Ao ouvido.) Vale uma libra. (Dá-1he uma libra e retira-se.)

JUDEU

(Guardando o dinheiro, cheio de nobre isenção eleitoral.) Extraordinário país! Cheguei há meia hora e eis-me já sem consciência e sem galochas! Palavra de honra! do que tenho mais pena é das galochas!

ACCIONISTA DUMA COMPANHIA

(Aproximando-se do Judeu.) Felicito-me com o meu país pela chegada dum cavalheiro de tantos créditos. Ora aqui está quem me vai ficar com estas cinquenta acções da companhia do gás.

JUDEU

Pois não, meu caro senhor. Com todo o gosto. Quanto quer?

ACCIONISTA

Bem sabe que com a vinda das noites grandes as acções tornaram a subir imenso.

JUDEU

Bem sei. Olhe, para evitar questões tome lá por elas esta caixa de fósforos, mas mande-me pôr em casa o gasómetro; desta maneira ficamos ambos habilitados, o amigo para acender um charuto, eu para o apagar.

ACCIONISTA

Contrato feito. Vou ajustar dois galegos e pode contar que ainda hoje lhe fica colocado na cozinha. (Sai apressadamente.)

2º POLITICO

Eu não tenho o gosto de o conhecer, mas é o mesmo. Não o incomodarei muito. O gabinete está em crise, as inscrições descem: o país, desde Maçãs de D. Maria até Cabeceiras de Basto, levanta-se como um só homem e batendo um murro patriótico no altar da pátria exclama: salta Messias para um! Há três meses que pomos este anúncio no Diário de Notícias: (lê) «Precisa-se de um Marquês de Pombal por um semestre. – Dá-se fiador e paga-se aos meses. Exigem-se as seguintes habilitações: Bigode e pêra. A pêra pelo menos é indispensável. Calva a que for possível: antes de mais que de menos. Peso, as arrobas necessárias para um conselheiro, desde 12 a 24, não incluindo a cabeça. Estômago de avestruz; dentadura em bom estado; ler, escrever, contar, as quatro operações, principalmente a subtracção; estado qualquer, incluindo o de demência. Idade certa, moralidade incerta; profissão vadio. Sabendo recitar ao piano prefere-se. (6) Carta à Rua dos Vinagres, nº 69, sobreloja.» (Declamando.) Ora como ainda não apareceu concorrente que satisfaça, lembrei-me de o consultar a tal respeito, visto ser um cavalheiro de tal guisa e de tamanho estofo.

JUDEU

Peço desculpa, mas declaro-me incompetente. Neste país estão tantas pessoas à mesa do orçamento, que acho muito melhor ir para os Irmãos Unidos,

POLÍTICO

Então queira perdoar. (Retirando-se.) Para a outra vez será.

JUDEU

Não tem de quê, meu caro senhor, não tem de quê.

1º BANQUE1RO

Ora aqui está o cavalheiro que eu procuro há tanto tempo. Meu caro senhor: sou um dos primeiros banqueiros da Parvónia. Não tenho nada de meu e devo quatrocentos contos de réis: é o que se chama entre nós uma fortuna sólida.

JUDEU

Quantas vezes quebrou?

1º BANQUEIRO

Apenas quatro! É muito pouco, bem sei, mas dêmos tempo ao tempo. A minha questão é esta: pretendo fundar um banco que se deve intitular: – Sociedade de Agricultura do Pinhal da Azambuja, – destinado a fomentar a pobreza do país, a ruína dos accionistas e a prosperidade dos directores. O nosso programa é simples: levantar o mais que puder e pagar o menos que for possível: ao cabo de ano e meio fugimos e os accionistas são metidos na cadeia.

JUDEU

(Com entusiasmo.) Com mil demónios! Você é um homem de génio. Dou-lhe um abraço, e sabe a razão por que não aceito o seu convite? É porque ainda não tive tempo de comprar um apito.

1º BANQUEIRO

Então muito obrigado. Virei noutro dia em que tenha fundos disponíveis. (Retira-se e assalta outro sujeito que passa, agarrando-o pelo botão do casaco.)

JUDEU

(Reparando num indivíduo que se dirige a ele com ar sinistro.) Outro! o que quererá este? Deus do Céu, é um país único esta Parvónia!

GEÓGRAFO

(Solene.) Preclaro viajante. Sabemos que a sua excursão tem sido das mais aventurosas e das mais profícuas para a ciência. Sabemos que V. Ex  descobriu as nascentes do Alviela; que fez a viagem à roda do Terreiro do Paço em três anos – e de gatas; que subiu intrepidamente a Calçada da Estrela numa corrida à hora, e a pé; sabemos que, se não descobriu o Brasil, foi porque já estava descoberto; sabemos que está isento do recrutamento; sabemos que é maior; sabemos que é vacinado e portanto, quer queira quer não, está nomeado sócio emérito das mil c duas sociedades de geografia que existem na Parvónia, com a condição. expressa de fazer uma prelecção em que demonstre: 1º, que o Alviela é um rio; 2º, que o Tejo é de cristal; 3º, que os caminhos-de-ferro portugueses, antes de explorarem os accionistas, já tinham sido explorados pelo governo.

JUDEU

Oh, meu caro senhor. Na verdade sou inábil para tão grande cometimento! No meu testamento tenho determinado que se me grave na campa fria o seguinte epitáfio: – Foi bom pai, bom esposo, bom irmão, bom amigo; e, não obstante, parece impossível! não foi sócio da Sociedade de Geografia. – Já vê que me é impossível aceitar.

GEÓGRAFO

Paciência: não fiquemos mal por isso; até outro dia.

VIÚVA

Meu caro benfeitor: uma esmolinha pelo amor de Deus; sou uma pobre viúva com 37 anos e 44 filhos todos tísicos: um deles é corcunda e tem quatro braços. Tenho um cirro no estômago e deito sangue pelo nariz; demais a mais ardeu-me ontem a casa!!... (Chora.)

JUDEU

Infeliz! só lhe falta ter caído de um andaime! Tome lá um pataco para mandar levantar a casa e a espinhela dos seus meninos. (Dá-lhe dinheiro: a viúva sai agradecendo.)

CICERONE

(Chegando apressado: grande toilette de belfurinheiro em exercício.) Ora onde eu o venho encontrar! Maganão, há tanto tempo que o não via!

JUDEU

(Absorto.) Nem eu, meu caro senhor. Nunca o vi mais gordo! O que deseja?...

CICERONE

(Falando apressadamente, e tirando vários objectos das algibeiras e da mala que traz a tiracolo.) Então a amigo já tem hospedaria? Precisa escovas para o cabelo? Quer a pasta da Justiça? Quer que lhe leve as malas ou quer a carta do Conselho? Olhe, ali na Rua do Arsenal há cigarrilhas espanholas magníficas, mas se quer ó hábito de S. Tiago também se lhe arranja: isto aqui é pedir por boca. Não tem senão escolher: ou vai para a Rua dos Vinagres ou então, se lhe faz mais arranjo, pode meter-se no Tribunal de Contas. No Conselho de Estado não há agora vaga. Prefere ser guarda-nocturno? visconde não é mau, mas guarda a cavalo é melhor. Escolha; deseja empenhar a consciência, deseja empenhar o relógio? Pretende ser deputado? Pelo governo custa-lhe 300 libras, pela oposição 200. Quer casar, quer ser da irmandade dos Terceiros? quer elogios nos jornais? Ou antes pelo contrário não quer nada disto e deseja apenas ser um brasileiro rico e bem conceituado na sua freguesia? Porque não me fica com este décimo da lotaria de Espanha e com esta comenda de Isabel a Católica? São ambas do Fonseca! Vamos, decida-se: o senhor precisa por força de alguma coisa. Aqui tem uma pomada para fazer cair o cabelo e os ministérios; aqui tem cartas de conselho, tftu1ºs de dívida infundada, baralhos de cartas, fluidos transmutativos, microscópios para ver pulgas e grandes homens; títulos para deitar nódoas e sabonetes para as tirar; enfim, aqui tem nesta drogaria diabólica tudo quanto é preciso para levar um homem desde a imortalidade até à polícia correccional!

JUDEU

(Entusiasmado.) Heureca! achei o meu homem! O Cicerone que eu procurava há tanto tempo! (Dando-lhe o braço.) Vamos dar um passeio pela Parvónia.

CICERONE

A primeira coisa que há a fazer, para obter tudo o que quiser, eu lha digo já, – entretanto será sempre bom disfarçar o nome e a cara. Agora, para abrir caminho e conseguir tudo, absolutamente tudo, deve propor-se deputado. As eleições estão à porta.

JUDEU

Deputado! Mas se eu não souber ler nem escrever?

CICERONE

Melhor! pode já contar com a eleição; não há tempo a perder, vamos à igreja.

JUDEU

(Detendo-se.) Mas o demónio é o burro! aonde é que havemos de guardar este jumento?

CICERONE

Não tem dúvida. (Chamando um garoto.) Olé! vai-me meter este burro no Tribunal de Contas. (7) (Saem de braço dado.)

Alvin Toffler on Education

DEBUSSY

segunda-feira, 16 de Novembro de 2009

Clube de Azeiteiros do Bar

Relativamente a este clube, que ainda se encontra em construção, aqui fica a referência do mesmo.
http://www.clubedeazeiteirosdobar.blogspot.com/
Até breve

Parabéns José Saramago


A 16 de Novembro de 1922, nasce, em Azinhaga (Ribatejo), José de Sousa Saramago, escritor português galardoado, em 1998, com o Nobel da Literatura.

Espionagem política

O ministro da Economia , Vieira da Silva, criticou as eventuais escutas de conversas do primeiro-ministro, José Sócrates, com Armando Vara, registadas no âmbito do processo Face Oculta, no qual este último foi constituído arguido."O que motiva essas forças e as pessoas que estão por trás do que me parece ser uma ilegalidade não é qualquer averiguação relativamente a qualquer processo de corrupção, é pura espionagem política, porque estar a ouvir um dirigente de um partido que também é primeiro-ministro sobre temas políticos e depois colocá-los nos jornais através de escutas cuja legalidade é mais do que duvidosa, considero isso algo de extremamente preocupante", declarou Vieira da Silva.
Os nossos dirigentes, a meu ver estão a ultrapassar os limites da razoabilidade democrática ao fazerem declarações como esta que não se percebe qual a intenção. Primeiro ninguém andou a escutar o primeiro ministro, mas sim Armando Vara, que por acaso telefonou ao senhor primeiro ministro. Depois onde está o respeito pela separação de poderes? Onde está a autonomia do Ministério Publico? Porque foram anuladas as escutas que levaram o juiz de Aveiro a concluir estar perante matéria passível de incidência criminal? Não queremos todos que a justiça se cumpra?

Na minha ingenuidade, e se fosse eu primeiro ministro, para que se acabasse de vez com todas as dúvidas (estas e outras), mandava que se publicasse o conteúdo das conversas, apagando é claro, aquilo que fosse de âmbito íntimo.

Porque se não há nada a esconder , então tem de se fazer justiça e prenda-se quem tenta denegrir, lançar dúvidas sobre o nosso primeiro ministro. É que, façam jus à vossa memória, nestes processos ninguém vai preso, ninguém é acusado, nem os que se sentem ofendidos, nem os que ofendem. Parece um teatro do absurdo.

Google Latitude

O mundo não pára , nem as invenções... Estas podem sempre ser positivas, não fosse a cabeçinha destorcida do ser humano, e ajudariam numa infinidade de situações. Vejamos a nova ferramenta do Google, A Latitude. O novo BIG BROTHER.

A Google acaba de anunciar duas novas funcionalidades no Latitude , uma aplicação para telemóveis que permite partilhar a localização de qualquer utilizador num mapa digital, em tempo real, junto da sua rede de contactos.
A partir de agora o Latitude já pode registar de forma exaustiva todos os locais por onde passou qualquer utilizador, sendo possível arquivar esta lista e consultá-la mais tarde. Para já, apenas é possível aceder ao seu próprio histórico e remover algum registo, mas o acesso aos dados dos elementos da rede de contactos está interdita, o que a acontecer constituiria uma clara violação da privacidade.
Sempre que está em execução, o Latitude poderá ainda alertar o utilizador sempre que um contacto está nas proximidades. Para tanto, qualquer utilizador terá de, previamente, tornar pública a sua localização junto dos membros da rede de contactos.
Para evitar alertas constantes sempre que chega ao local de trabalho ou regressa a casa, o sistema foi programado para fazê-lo apenas em locais onde não se desloca regularmente. Assim sendo, para poder receber um alerta terá de manter activado o histórico da localizações.

Fonte: Expresso

sábado, 14 de Novembro de 2009

Clube de Azeiteiros do Bar

“Não sei o que possa parecer aos olhos do mundo, mas aos meus, pareço apenas ter sido como um menino brincando à beira mar, divertindo-me com o facto de encontrar de vez em quando, um seixo mais liso ou uma concha mais bonita que o normal, enquanto o grande oceano da verdade permanece completamente por descobrir à minha frente.” – Isaac Newton

Informamos todos os bloguistas que recentemente foi criado mais um espaço de conversa e diversão neste meio onde nos encontramos, com a preciosa ajuda do José Vieira.
Um Grande Bem-haja a este Grande Amigo.

quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

Resultados autárquicas 2009 em Cantanhede

Sensivelmente um mês após a realização das eleições autárquicas é hora de fazer o balanço dos resultados obtidos no nosso Concelho. A esmagadora vitória do PSD na Câmara Municipal, Assembleia Municipal e em dezasseis das dezanove Freguesias, traduzem de forma cabal o trabalho efectuado pelo Partido Social Democrata, quer em campanha, quer, principalmente, no trabalho que tem desenvolvido no Concelho. Obviamente, que, histórica e ideologicamente, o Concelho é maioritariamente social-democrata, mas isso, por si só, não chega para explicar os resultados obtidos (66,89% para o executivo de João Moura contra os 27,23 obtidos pelo principal adversário Manuel Ruivo do Partido Socialista).
Vivemos, felizmente, num estado de direito democrático e o resultado das eleições não pode ser contestado, sendo revelador da vontade dos Munícipes em premiar o trabalho desenvolvido pelo PSD no Concelho e na própria campanha eleitoral que, como se sabe, tem alguma influência, se bem que não aquela que muitos lhe querem dar para justificar frustrações eleitorais.
Estas eleições revelaram que os Munícipes não se revêem no Partido Socialista, não vêem neste uma alternativa credível e este é o ponto de partida para os militantes do partido prepararem os próximos actos eleitorais. A mensagem não passa e os candidatos, nos quais me incluo, por ventura, não serão os ideais. Não se podem esquecer que as eleições não se ganham no ano das mesmas, há que demonstrar trabalho, intervenção e acção durante os quatro anos, não podendo ignorar mais de um quarto dos Munícipes que representam. O Partido Socialista nunca conseguirá ganhar as eleições autárquicas enquanto não demonstrar ser uma alternativa capaz, uma oposição sólida com um projecto definido e concreto para o Concelho. Os meus votos, a bem da pluralidade democrática, é que a Comissão Politica Socialista e todos os candidatos eleitos desempenhem o seu mandato condignamente, lançando as bases para uma futura vitória ou, pelo menos, para o encurtar de distâncias.
O que todos queremos é um Concelho mais forte e desenvolvido e isso só se obtém com uma boa liderança e com uma oposição capaz de interagir com a liderança, aprovando o que entende aprovar e apresentar alternativas em vez da pura abstenção ou voto contrário. Dizer não só para chatear é um principio que deve ser erradicado do nosso panorama politico.

Professor do ano


Professor do ano foi aquele que, com depressão profunda, persistiu em ensinar o melhor que sabia e conseguia os seus 80 alunos.

Professor do ano foi aquela que tinha cancro e deu as suas aulas até morrer.


Professor do ano foi aquela que leccionou a 200 km de casa e só viu os filhos e o marido ao fim de semana.


Professor do ano foi aquela que abandonou o marido e foi com a menina de 3 anos para um quarto alugado. Como tinha aulas à noite, a menina esperava dormindo nos sofás da sala dos professores.


Professor do ano foi aquele que comprou o material do seu bolso porque as crianças não podiam e a escola não dava.


Professor do ano foi aquele que, em cima de todo o seu trabalho, preparou acções de formação e se expôs partilhando o seu saber e os seus materiais.


Professor do ano foi aquela que teve 5 turmas e 3 níveis diferentes.


Professor do ano foi aquele que pagou para trabalhar só para que lhe contassem mais uns dias de serviço.


Professor do ano foi aquele que fez mestrado suportando todos os custos e sacrificando todos os fins-de-semana com a família.


Professor do ano foi aquele que foi agredido e voltou no dia seguinte.


Professor do ano foi aquele que sacrificou os intervalos e as horas de refeição para tirar mais umas dúvidas.


Professor do ano foi aquele que organizou uma visita de estudo mesmo sabendo que Jorge Pedreira considerava que ele estava a faltar.


Professor do ano foi aquele que continuou a motivar os alunos depois de ser indignamente tratado pelos seus superiores do ME.


Professor do ano foi aquele que se manifestou ao sábado sacrificando um direito para preservar os seus alunos.


Professor do ano foi aquele presidente de executivo que viveu o ano entre o dever absurdo, a pressão e a escola a que quer bem, os colegas que estima.


Professor do ano... tanto professor do ano.


Professores do ano, todo o ano, fomos todos nós, professores, que o continuamos a ser mesmo após uma divisão absurda.

segunda-feira, 9 de Novembro de 2009

Muro de Berlim III







A 9 de Novembro de 1989, a abertura total das fronteiras da RDA leva à queda do Muro de Berlim e ao fim da Guerra Fria.
Era bom que os nossos muros também caissem...
FACES LIMPAS!